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Opinião

Movimentos sociais

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RUYTER BARCELOS * Os movimentos sociais caracterizam-se pela contestação à condição imposta a uma minoria, em conseqüência de políticas governamentais ou de padrões estabelecidos por uma maioria. Neste caso, estaria evidente a discriminação geradora do conflito e motivo bastante para o confronto das idéias, mantidos os debates no plano intelectual e sempre pacífico que deve nortear qualquer discussão. Assim foi na antiga Atenas, na agora, onde o povo se reunia para debater as proposições e vencia aquele que possuísse maior poder de persuasão, de convencimento. Os conflitos sociais são antigos e um passeio pela história da humanidade vai demonstrar isso. Como exemplo, Max Weber em ?A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo? faz referência às ?lutas de classes entre as parcelas credoras e devedoras, proprietários rurais e sem-terra, servos e meeiros?. A obra estará completando, em breve, cem anos e, como se observa, continua atualizada. Não resta dúvida que a sociedade evoluiu e com ela os conceitos de ética, moral e moralidade, bem como os movimentos sociais em sua forma de contestação, vale dizer, tudo adequado ao seu tempo e de acordo com as crenças e valores da sociedade. Entretanto, a legitimidade de uma contestação se mantém na proporção em que ela permanece na legalidade. Ao longo de sua trajetória, o MST evoluiu da manifestação pacífica, da contestação social para a violência urbana e rural. As invasões de propriedades públicas e privadas são um desrespeito à Lei e à ordem, agridem o Direito, o Estado e a sociedade. A forma de atuação do MST sugere a de um movimento revolucionário, principalmente quando consideradas as opiniões expostas por integrantes da segunda geração dos sem-terra, os quais pregam, abertamente, a luta de classes, a tomada do poder, a ditadura do proletariado, a revolução socialista como meta intermediária rumo ao comunismo. Sem sombra de dúvida, é uma linguagem ideológica que agride a nação democrática. Sobre o tema, a formação da nacionalidade brasileira, a evolução política e social do País independente possuem como marca indelével a tolerância, a convivência dos opostos, a solução incruenta para os conflitos, particularmente na República, e, na Monarquia, quando o confronto foi inevitável, surgiu a espada do cidadão pacificador. Assim, o brasileiro é livre por natureza e sua idiossincrasia não aceita grilhões de qualquer matiz ideológica. O problema é que a maioria da sociedade é passiva e a minoria é atuante. Outro juízo de valor sobre o tema trata da produtividade do campo. Hoje, a agricultura brasileira é motivo de orgulho e redenção, pois produz cerca de cento e vinte milhões de toneladas de grãos, um alívio para os mais pobres, permitindo manter baixos os preços dos itens básicos da cesta alimentar. Portanto, levar a violência ao campo, interditar vias de transporte, invasões, saques ou outras formas impensadas de agir só agravam o cenário de dificuldades e indicam a ?morte da galinha dos ovos de ouro?. Finalmente, os atuais líderes do MST necessitam repensar a forma de conduzir seus liderados, de pressionar o governo e a própria sociedade, pois agir fora da lei os torna marginais sujeitos ao Código Penal Brasileiro. Como afirma Norberto Bobbio, em sua obra ?Teoria Geral da Política?, só há democracia com direitos humanos reconhecidos e protegidos, transparência ? governo público em público - e paz. Concluindo, é impositivo pacificar o MST. (*) É OFICIAL DA RESERVA DO EXÉRCITO BRASILEIRO E-MAIL: [email protected]

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