Opinião
Quem paga a conta ?
Duas notícias, na primeira página da GAZETA DE ALAGOAS de ontem, merecem reflexões especiais. Lado a lado, eram anunciados, na quarta-feira, o fim da greve na Universidade Federal de Alagoas e o início da paralisação dos servidores da Secretaria da Saúde. Uma se debruçou sobre um mote nacional ? político, econômico e social ao mesmo tempo ? outra se lança sobre uma questão salarial restrita à esfera do Estado de Alagoas. Uma finda, outra começa. O ponto em comum entre as duas é a paralisação de serviços públicos. Esse é o ponto sobre o qual as lideranças sindicais deveriam dedicar mais atenção e exercitar a criatividade. Fato inquestionável em qualquer paralisação de serviços públicos é que o primeiro e principal (e na maioria dos casos, o único) prejudicado é a população consumidora. O povo é quem sofre as rebordosas nesse tipo de greve. Os ?patrões? (os governos, na maioria dos casos) assistem de camarote, sendo vez por outra incomodados por tardias ondas provocadas pelas manifestações políticas de massa organizadas pelos grevistas e não pelas greves em si. Quando param as aulas ou são interrompidos os serviços médicos, quem sofre com isso? Num primeiro momento, alunos e suas famílias, ou pacientes e suas famílias; a médio prazo, a penalizada é toda a sociedade, pois esse tempo perdido não é recuperável em termos das grandes demandas sociais. Atrasos de formatura, períodos improvisados para reposição de aulas ? por exemplo, são paliativos insuficientes para a reparação de longas interrupções das jornadas de ensino. No caso da saúde, é desnecessário se alongar nas explicações dos danos irreversíveis causados por uma interrupção do trabalho no atendimento médico. Em ambos os casos, quanto mais longa, maior o prejuízo da população e suas camadas mais pobres são as mais profundamente maculadas por iniciativas desse tipo. A greve é um direito claro e indiscutível, mas a cidadania é um dever; a inteligência e a criatividade das lideranças devem ser colocadas em ação o quanto antes, pois o povo segue pagando a conta de cada dia parado.