Opinião
Nossa p�tria
MILTON HÊNIO * Comemoramos hoje mais um aniversário de nossa Independência. Passados todos esses anos (l822-2003), os passos do nosso querido Brasil ainda são vacilantes. O atual presidente, Lula, venceu pela persistência e o povo, em sua maioria, deu-lhe o poder de nos governar com a esperança de uma vida mais feliz. Continuamos aguardando que esse dia logo chegue para que o povo possa ter uma democracia com liberdade e bem-estar social. É que a coisa entre nós é muito complicada. Nosso país enfrenta problemas estruturais muito graves, que se apresentam há séculos. São problemas para os quais as soluções só serão encontradas quando os políticos brasileiros mantiverem um diálogo, cuja finalidade seja o bem comum e não os interesses pessoais ou de grupos. Sem isso continuaremos caminhando em círculos, sem chegar a lugar nenhum. Distribuir melhor a renda é, talvez, o maior dos desafios do Brasil. Segundo o Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea), o Brasil possui atualmente 56,9 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza e 24,7 milhões na faixa da indigência, o que significa que vivem com 75 reais por mês. Isso é um absurdo, mas é verdade. O Estado brasileiro nunca se preocupou em desenvolver mecanismos eficientes de distribuição de riqueza e renda. Segundo competentes economistas que estudam nossa situação, numa projeção muito otimista, o nosso querido País poderá chegar em 2006 com uma população em torno de 30% vivendo abaixo da linha de pobreza. Dessa forma, continuamos a pertencer ao Terceiro Mundo, terminologia muito usada nos meus tempos de adolescente, quando no Colégio Guido, já debatíamos em nosso Grêmio o que representa o subdesenvolvimento no progresso de uma nação. Passados todos esses anos o subdesenvolvimento brasileiro significa uma terra onde poucos têm muito e muitos têm pouco. O desafio dos nossos governantes e da sociedade é batalhar para resolver um quadro que nos envergonha perante as outras nações. Só assim teremos uma democracia com liberdade. O que atrapalha muito o Brasil é o excesso de liberdade em todas as áreas; as leis não são cumpridas, todo mundo é dono da verdade, cada um procura tirar proveito do que pode e do que não pode e por aí vai; o analfabetismo é gritante, principalmente no Nordeste, o que impede nossa caminhada. Se não há investimento no homem o país não terá progresso. No aniversário de nossa Independência, passados 181 anos, teríamos de fazer uma bela poesia em homenagem àqueles índios, negros e brancos que, com seu sangue, regaram nossa terra e a tornaram cheia de generosidade, solidariedade e fraternidade. Teríamos de fazer uma poesia aos que souberam infundir no nosso ser brasileiro o sentido de família, de alegria e que ajudaram nossa gente a crescer e a caminhar com a dignidade de um povo que tem esperança, que sabe transformar a dor em energia nova para construir um futuro melhor. Esse grito do povo já é considerado por muitos sociólogos um sinal de desenvolvimento coletivo e de senso de cidadania. Parodiando o grande poeta Olegário Mariano eu diria: ?Vinde ver! Vinde ouvir homens de terra estranha/o Brasil de minha alma, atormentado e aflito/de quebrada em quebrada, acordando o infinito/. Não é esse Brasil de vida efêmera e leviana, superficial, anêmico e franzino/.È o Brasil que embalou meus sonhos de menino?. (*) É MÉDICO E-MAIL: [email protected]