Opinião
P�tria e esperan�a
?Desemprego e exclusão social inibem civismo no País?. Esse foi um dos destaques de primeira página da GAZETA DE ALAGOAS em sua edição de antes de ontem, domingo, 7 de Setembro. O título se referia ao comentário de uma reputada socióloga acerca dos resultados de pesquisa do Gape. A análise está correta e pode ser comprovada em vários aspectos, desde o âmago de cada brasileiro excluído até o dia a dia das coletividades. No campo do sentimento individual do excluído, a realidade é tão óbvia que dispensaria pesquisas e maiores avaliações. Afinal, a crescente exclusão social e o desemprego avassalador fazem com que todos os atingidos por essas chagas passem a se enxergar como cidadãos de segunda categoria; a essas pessoas são negados os direitos mais fundamentais do ser humano, como a saúde, a moradia, a educação. E embora tenha garantido o título eleitoral, nem sempre isso equivale à prática efetiva da cidadania nas urnas (vide compra e manipulação de votos). Sem emprego, sem saúde, sem escola, sem futuro, que ânimo podem ter esses brasileiros e brasileiras oprimidos para saírem às ruas no Dia da Pátria? E falando em Dia da Pátria, no Rio de Janeiro, todo um desfile escolar foi impedido de sair às ruas em função do perigo representado pelos traficantes. Onze mil pessoas, em sua esmagadora maioria crianças estudantes da Zona Oeste do Rio, não puderam desfilar no Dia da Pátria, porque os poderes constituídos não tiveram condições de lhes garantir a segurança para esse ato cívico. Assustados com os traficantes da Zona Oeste carioca, os organizadores da comemoração decidiram cancelá-la. Parece incrível, mas pode acreditar que isso aconteceu. E existe maior prova da exclusão cerceando a cidadania? Não falamos da impotência do brasileiro e da brasileira frente ao desânimo causado pelo desemprego. Isso é a potência, o ânimo, a soberba do crime que se fez organizado sobre as bases da exclusão e do desemprego. Essa é a realidade e não podemos esmorecer, mas ter consciência de sua gravidade e empenharmos para devolver ao conjunto da nação a cidadania e a esperança verdadeira na inclusão social.