Opinião
Miseric�rdia da Casa
CARLOS MENDONÇA * As mudanças substanciais, em Alagoas, ocorridas nos últimos vinte anos, sem sombras de dúvidas, vieram para melhorar as condições de sobrevivência dos seus pobres e sofridos habitantes nordestinos. Há que se comemorar, ainda mais, nesse aspecto de melhorias sociais, naquilo que diz respeito à assistência médico-hospitalar. Anos atrás, era comum dizer-se que o ?melhor hospital, em nosso Estado, eram os aviões no aeroporto?. Saio de mais uma refrega na saúde, quando fui obrigado à nova passagem pelos leitos da Santa Casa de Maceió, na conformidade financeira do meu plano de assistência médica. Agora, já não sei quantas vezes ali estive. Lembro, todavia, que a estréia foi ainda nos idos de 1962, sob os cuidados do bisturi do estudioso professor Abílio Antunes, médico da família. Nos últimos anos, por razões óbvias da ?modernidade?, tenho ido mais aos ?estágios? naquela instituição, atendendo às determinações de outro competente amigo, o dr. Carlos Macias. Desta última vez, a hospedagem na Unidade de Terapia Intensiva Coronariana, na companhia dessa figura humana ímpar, Marcílio Gonzaga, além de dois ilustres proprietários rurais e mais cinco outros cidadãos, estes internados sob os auspícios do SUS, mas também colegas cardíacos, testemunhei a desimportância do dinheiro naquele ambiente. Fomos tratados, todos, em meio a tantas correrias de socorros, noites a dentro, com os mesmos respeito, carinho e cuidados médicos que merecíamos. A aparelhagem moderna da Santa Casa, testemunhei, atende, indistintamente, aos que têm seguro de saúde e aos que sequer detêm uma carteira de trabalho. Com os equipamentos, a tecnologia e, de forma especial, os profissionais da Medicina, de que dispomos, Alagoas já não necessita dos aviões nos Palmares. Além da Santa Casa, as notícias de outros hospitais de Maceió e do Estado são muito boas. Estamos avançando a passos largos. Médicos, para-médicos e máquinas, temos em igualdade aos grandes centros. Mas, de tudo, o que mais impressiona e comove aos que ingressam nos portões da Santa Casa de Maceió, além da esperança de sair dali curado, é sentir o ambiente de ajuda e solidariedade humana e, particularmente, o acolhimento aos mais necessitados, como manda a tradição daquela Entidade secular, benfazeja e filantrópica, vinculada à Igreja Católica. Melhor, ainda, é que a Misericórdia daquela Casa continua sendo feita pelo coração e o zelo de cada um dos que dela cuidam. Somente assim, permanecerá cumprindo a missão que lhe cabe. (*) É PROCURADOR DE ESTADO E CONSELHEIRO DA OAB/AL