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Outro 11 de setembro

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Ontem foi assinalado mais um aniversário terrível. O golpe contra Salvador Allende, presidente do Chile, completou 30 anos. O Chile era dado como um país acima dos golpes por ser europeizado, ?branco?, e com boa tradição cultural. A referência chilena de Allende afirmava ser possível, em plena guerra fria, um país na esfera de influência dos Estados Unidos ser dirigido por um governo de esquerda (no caso de esse ter sido escolhido pelos processos eleitorais tidos como democráticos). Salvador Allende foi eleito através de um processo democrático e transparente, e assumiu com o compromisso de mudanças importantes, embora nada radicais. Mas o sonho foi trucidado em 11 de setembro de 1973, através de um dos mais sangrentos golpes de Estado já cometidos em toda a América Latina. O golpe contou com o apoio do governo americano. Milhares foram mortos, entre esses, muitas pessoas de outras nacionalidades que apostavam na perspectiva de ?revolução pacífica? descortinada naquele Chile da Unidade Popular. Entre os assassinados, pelo menos cinco brasileiros. O então jovem José Serra escapou por pouco, chegando a ser preso e conduzido para o Estádio Nacional ? convertido de praça de futebol em campo de extermínio. Também abrigado em terras chilenas naquela época estava Fernando Henrique Cardoso, que conseguiu escapar antes de ser detido. O sangue correu não apenas nos campos de concentração chilenos e a garra terrorista de Pinochet alcançou outros países através de uma ação internacional, mais tarde conhecida como ?Operação Condor?, cujo objetivo era simplesmente matar os opositores do regime ditatorial (fossem ou não militantes de esquerda). Essas ações terroristas, entre outras vítimas, assassinaram militares como o general Carlos Prats e o ex-chanceler Orlando Letelier, ambos explodidos em seus carros. Sobre essas operações sempre pesou a acusação de participação dos serviços secretos americanos. Três décadas depois, o Chile é novamente uma democracia e passa por um doloroso processo de avaliação de seu passado recente. Pinochet, aposentado e doente, definha em liberdade ? ainda que tardiamente processado por várias vezes. E nada se fala mais sobre a ?Operação Condor? ? uma pena, pois aí podem estar contidos esclarecimentos básicos sobre o terrorismo moderno.

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