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Lixo da esperan�a

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RONALD MENDONÇA * Há alguns dias, aqui no Estado, houve um concurso para médico com a intenção de preencher vagas nos hospitais da capital e no recém-inaugurado Pronto Socorro de Arapiraca. Apesar de interessados, os neurocirurgiões não aceitaram assumir o emprego, por causa da indecente proposta salarial ? que não vale nem a pena declinar o valor. Todos sabem que a situação da saúde em geral e a dos médicos em particular é de dificuldades e isso não é obra de um só governo. Foram anos de desatenção ao setor, patrocinados por uma horda de irresponsáveis, que misturou aspectos técnicos com política partidária, imaginando que o sonho de transformar o País num paraíso socialista começaria a partir da má remuneração aos médicos e da perseguição aos hospitais particulares. (O resultado dessa política não tardou a aparecer. Com o declínio da qualidade dos serviços públicos, houve uma revolução ? para o bem ou para o mal ? na assistência médica. Adoecer e não ter a certeza do atendimento virou obsessão. Assim, não é por capricho que as pessoas com algum poder de compra submetem-se aos contratos draconianos dos planos de saúde, correndo ainda o risco de na hora xis a coisa dá chabu). Categoria em ascensão é a dos catadores de lixo de Maceió. Recentemente, o órgão responsável resolveu disciplinar a atividade, autorizando apenas à metade, cerca de 350, acessar o depósito. Pouca gente sabia que havia um número tão elevado de pessoas garimpando o lixão de Cruz das Almas. Bem, apesar de talvez não ser o trabalho dos sonhos, o fato é que a seleção acabou criando revolta entre os preteridos, inclusive com ameaça de piquete, sendo necessária a presença da polícia para acalmar os ânimos. Segundo se propalou, os critérios de escolha basearam-se na antigüidade, na idade (menores de 18 anos foram cortados) e no local da residência ? os que moram nas vizinhanças tiveram prioridade. Tudo bem em relação aos dois primeiros critérios. Quanto ao local da moradia, achei injusto, uma vez que o lixo não sendo gerado no bairro, não há porque discriminar os que moram distante. Discordo dos pessimistas que acham que a briga de foice por uma vaga de catador de lixo é o atestado de que Alagoas está no fundo do poço. Posto não ser a profissão que a gente deseja para um filho, é uma atividade prestigiada - foram aproveitados 50% dos candidatos. Ruim é em Ribeirão Preto, São Paulo, que de 15 mil inscritos apenas 3% serão contemplados com o emprego de escriturário. (*) É MÉDICO E PROFESSOR DA UFAL

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