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Opinião

Os seios

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MARCOS DAVI MELO * Por conta de uma jovem e bela mulher, acometida por um câncer no seio em uma atual novela na televisão, discute-se em outros programas televisivos, também de grande audiência, a importância dos métodos de diagnóstico precoce desta enfermidade, que praticamente dobrou a sua incidência no mundo, nos últimos dez anos. Os seios sempre foram motivo de vaidade e auto-estima para as mulheres, como para os homens, que, invariavelmente, os tiveram entre os principais objetos de seus desejos. Ágata foi uma mulher civilizada, virtuosa e religiosa da Idade Média, que por não se submeter aos caprichos dos bárbaros, foi seviciada e teve os seios amputados a cru por seus algozes, razão pela qual é a patrona dos que se dedicam aos estudos da mama feminina. Moliáre, um entre tantos escritores que os celebraram, incapaz de resistir à sedução que os mesmos lhe causavam, exclamou em versos; ? Cobri o seio. Eu não o quero olhar./ pois estas coisas vis nos tiram de cuidados/ E fazem cultivar pensamentos culpados!?. O teatrólogo viveu naquela época maravilhosa, na qual as mulheres usavam aqueles imensos decotes e adereços que apertavam tanto os seios que eles pareciam querer saltar para fora, à procura de espaço ou de mãos sequiosas para acariciá-los. Infelizmente, os seios não são apenas motivo para satisfazer o ego feminino e a cobiça masculina, como todo órgão humano envelhecem e são sujeitos a contraírem doenças. Variadas são as enfermidades que os acometem: desde as dores repetidas (as mastalgias) que rotineiramente não tem maior significado, às mais graves como o câncer, que paradoxalmente e normalmente, só causa dor em fases avançadas. Daí, que se recomenda às mulheres maiores de 30 anos que uma vez ao mês procedam ao auto-exame, que nada mais é que uma auto-carícia não narcísica, oito a dez dias após a menstruação. Nas menopausadas, um dia certo todo mês, as mulheres devem apalpar as suas mamas. Os estudos internacionais demonstram que as mulheres que fazem disto uma rotina, conseguem detectar qualquer alteração em seus seios, por mínima que o seja. Assim, caso o pequeno nódulo seja um câncer, pode-se tratá-lo sem amputá-lo e com chances acima de 95% de curá-lo totalmente. Já as mamografias, devem ser feitas somente a partir dos 40 anos; naquelas mulheres de alto risco (com casos na mãe e/ou irmãs), elas podem ser antecipadas. No programa de televisão, mostrou-se a dificuldade para se realizar uma mamografia pelo SUS, em São Paulo, capital. Esperava-se entre 30 e 70 dias para realizá-la. Possivelmente, existam mamógrafos suficientes no Brasil. A questão da má distribuição dos mesmos é relativa. Eles existem em todo o território nacional, muitos são novos, estão encaixotados e não funcionam, outros estão sobrecarregados ou têm limitações nas cotas para atender o SUS. Tudo isto pode ser resolvido se o critério preponderante for o técnico. Pode-se gastar só o necessário, beneficiar toda esta comunidade e ainda salvar muitas vidas. (*) É MÉDICO

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