Opinião
Dobram os sinos...
Passado mais um 11 de setembro, o mundo ainda verte lágrimas de sangue. Mas por que e por quem o mundo chora mesmo? Razões para a dor existem. E, ao contrário do que muitos possam pensar, os motivos lacrimais estão situados a nossa frente e não no que ficou para trás. Pouco adiantam romarias ao que foi o World Trade Center, quase nada significa o soar dos sinos pelas vítimas dos atentados cometidos nos Estados Unidos naquele fatídico dia. Pois, apesar de toda a verdade nesse pesar, está se deixando de fora desse sentimento outras muitas milhares de vítimas, e se comete o erro de se isolar os atentados cometidos em 11 de setembro de 2001 do conjunto de fatores que os originaram. Na verdade, continuam sendo geradas todas as condições propícias para novos surtos de terror. O ódio continua sendo semeado (hoje com muito mais vigor) e florescerá em mais ódio, mais sangue, sem dúvida nenhuma. Por quem os sinos dobram? Deveriam soar por todas as vítimas (aqui incluídas as do Iraque, Afeganistão, Palestina e Israel ? só para falar nas áreas diretamente envolvidas nesse confronto deplorável) e não apenas por uma parte delas. A insistência e se cultuar apenas um dos lados envolvidos está fazendo mudar a opinião pública mundial e em apenas dois anos as manifestações referentes ao 11 de setembro passaram a criticar o governo americano mais do que prantear suas vítimas inocentes. Cabe à única superpotência desse momento histórico uma hercúlea responsabilidade. Seus erros hoje refletem-se sobre todo o mundo e seus acertos não conseguem contemplar sequer seus próprios cidadãos. Com a desmoralização da ONU, mais crítica ainda fica a posição americana, pois o isolamento é o pai de todos os erros. Acanhada, submissa, a Organização das Nações Unidas precisa mudar de posição, assumindo um papel mais aproximado do que o mundo espera dela. A morte de Sérgio Vieira de Mello e demais funcionários deve servir de lição ao comando da ONU. Os sinos deveriam dobrar em cobrança de inovadores posicionamentos em defesa da verdadeira paz.