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Opinião

A missa

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DOM JOSÉ CARLOS MELO, CM * A palavra ?Missa? vem do latim, ?Missio?, missão nossa de testemunhar Jesus Cristo que morreu, mas acima de tudo ressuscitou para a nossa salvação, a partir do mistério que é celebrado. Alimentada na missa com a força do mistério de Cristo, a Igreja parte em missão. A Liturgia da Missa nos faz viver duas partes distintas, mas intimamente ligadas: Liturgia da Palavra e Liturgia Eucarística. A primeira, com o objetivo de introduzir o povo no mistério, oferece a mesa da Palavra de Deus, abrindo-lhe os tesouros bíblicos da salvação. A segunda, com o objetivo de recordar e atualizar o memorial da morte e ressurreição de Cristo, transformando as sagradas espécies de pão e vinho em corpo e sangue do Senhor. A missa é celebração do mistério da fé que se insere na vida da Igreja, Povo de Deus, e que no decorrer da história está aberta a possíveis inovações e necessárias adaptações. O Concílio Vaticano II, através da Constituição sobre a Sagrada Liturgia ?Sacrosanctum Concilium?, consagrou o princípio da renovação permanente e da necessidade de uma reforma da Sagrada Liturgia, para adaptá-la sempre de novo às condições dos tempos, ?pois a liturgia consta de uma parte imutável, divindade instituída, e de partes suscetíveis de mudanças. Estas, com o correr dos tempos, podem ou mesmo devem variar, se nelas se introduzir algo que não corresponda bem à natureza íntima da própria liturgia, ou se essas partes se tornarem menos aptas?. E, mais adiante, o mesmo documento afirma: ?O sacrifício da missa é o memorial de sua morte e ressurreição, sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal, em que Cristo nos é comunicado em alimento, o espírito é repleto de graça e nos é dado o penhor da futura glória?. Ela é a vida da Igreja e seu ponto alto. Sem eucaristia, não há Igreja e sem Igreja não há eucaristia. Após a grande reforma promovida pelo Concílio, fiel ao seu espírito renovador, com apenas 40 anos, a Igreja retoma a questão e faz uma nova revisão da Introdução Geral sobre o Missal Romano. Ela tem por objetivo levar todos os fiéis a celebrarem frutuosamente e a viverem o Sacrossanto Mistério da Eucaristia. Podemos afirmar que a Introdução Geral sobre o Missal Romano constitui o melhor Manual sobre o Mistério Eucarístico e sua celebração. Nela encontramos a eucaristia tratada sob seu aspecto teológico, místico e espiritual, litúrgico e pastoral. Aí encontramos também a dimensão celebrativa do mistério pascal de Cristo, como ação memorial da Igreja, Povo de Deus, o sacrifício memorial de Ação de Graças. A eucaristia aparece também como Ceia do Senhor. Não falta o aspecto jurídico, necessário em qualquer ação conjunta de uma comunidade. Espera-se, portanto, que ela seja bem acolhida e assimilada por nossas comunidades. Neste sentido, exorto insistentemente nossos sacerdotes, a quem é confiada a celebração da missa, e a toda Igreja que está em Maceió, para que devolvam à eucaristia a dignidade que lhe é própria como mistério de salvação e de santidade, purificando-a de expressões que a empobrecem e vulgarizam. Com efeito, a eucaristia tem sua identidade própria que não admite acréscimos desnecessários. (*) É ARCEBISPO METROPOLITANO DE MACEIÓ

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