loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Preconceito vivo

Ouvir
Compartilhar

Discriminação Zero e Privilégios Zero deveriam ser dois programas simultâneos implementados sem demora pelo governo Lula. Tendo sua origem como pobre, nordestino, migrante e trabalhador, a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva deveria se lançar, logo de começo, no combate à discriminação e aos privilégios. Mas isso parece merecer esforço zero dos novos dirigentes do País. Arranjos cometidos contra o texto original da reforma tributária bem que merecem a classificação de ?maracutaias?, tal a cara-de-pau com que mantém (e amplia) discriminações e privilégios regionais. Historicamente, nosso País sempre padeceu do mal da discriminação regional. Desde os primórdios, o processo de crescimento privilegiou uma região em detrimento das outras (até que bem no início, o Nor-deste pode ser considerado como beneficiário desse erro). A partir do século XVIII, o Sudeste passou a concentrar todas as oportunidades e recursos, crescendo desproporcionalmente em relação ao resto do Brasil. As opções governamentais foram consolidando como ?razões de estado? essa tendência discriminatória. Privilegiado, o Sudeste afirmou-se como centro da economia e essa situação se agravou de tal forma ao longo dos tempos que em meados do século XX, quando de um surto positivo de inteligência nacional, resolveu-se criar agências de desenvolvimento regionais. Essa concepção foi sendo atrofiada ao longo dos anos até ser liquidada no governo FHC e revitalizada neste governo Lula; mas nada parece ter mudado no tocante aos conceitos estratégicos e os privilegiados demonstram ainda que sua força é maior. Esse é o caso das recentes alterações na proposta de reforma tributária, que mantém os incentivos discriminatórios em benefício dos estados (já) industrializados contra o resto do Brasil. E, além disso, não satisfeitos em sua voracidade, os privilegiados lograram incluir seus estados também como merecedores dos auxílios aos mais necessitados. As bancadas do Norte e do Nor-deste reclamaram na Câmara dos Deputados; mas muitos dos reclamantes não parecem dispostos a lutar de corpo e alma contra a discriminação sofrida e denunciada. E, sob tímidos protestos, mais essa discriminação parece se encaminhar ? célere ? para a aprovação nos plenários da Câmara e do Senado. Não é hora de se mudar isso?

Relacionadas