loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Avalia��es no ensino

Ouvir
Compartilhar

JOSÉ MEDEIROS * Nos bastidores da educação, nos gabinetes acolchoados de Brasília, discute-se como ampliar a permanência do aluno na escola: um ano a mais no Ensino Fundamental público e um ano a mais no Ensino Médio de todo o sistema (público e privado). Passa de oito para nove anos a duração do ensino básico. Ganharia a escola pública, um pré-escolar. Isso já acontece nas instituições particulares. Uma segunda proposta acrescenta um ano ao Ensino Médio, que passaria a funcionar em quatro anos. Dividem-se opiniões entre educadores e alunos sobre esses assuntos. Em primeiro lugar, dados estatísticos recentes mostram que há 22 milhões de crianças de zero a seis anos no País, portanto, a educação infantil na escola pública daria importante contribuição à formação de amplas faixas desses novos brasileiros. A segunda questão é bem mais complexa e merece uma análise acurada. Você concordaria que o Ensino Médio durasse quatro anos e não três, como ocorre atualmente? Que o Ensino Fundamental mudasse de oito para nove anos? Um ano de acréscimo em cada nível de escolaridade significa mais investimentos, gastos, professores, salários, conteúdos, e infra-estruturas ampliadas. Isso muda as expectativas de todos os que já se encontram no sistema. E são feitas perguntas-síntese: os alunos teriam uma melhor formação educacional? O ponto sensível da questão da aprendizagem reside no número de anos de freqüência escolar? Discute-se, também, a extinção do Provão como sistema de avaliação do Ensino Superior. Nessa hipótese, uma das alternativas seria a substituição do Provão por processos que avaliem alunos, docentes, qualidade dos cursos e das instituições que os oferecem. Num olhar pedagógico, pergunta-se se isso é possível e realizável. Alguns pontos merecem reflexão: o Provão, o ENEM, os PCNs, deveriam ser reexaminados quanto à sua eficiência e eficácia. Antes de pensar em novas propostas educacionais será necessário que seja bem avaliado o que já se faz. ?O processo de avaliação consiste essencialmente em determinar em que medida os objetivos educacionais estão sendo alcançados?. (Heloísa Argento) Creio que todos concordam com esse ponto de vista. Afinal, é necessário ter mecanismos que avaliem mais de 15 mil cursos superiores atualmente existentes no País, alguns deles em estado de absoluta precariedade. Para muita gente, avaliação é um Deus-nos-acuda. Na década de 70, eu participei de um estágio na universidade americana de Athens, na Geórgia, num programa de treinamento patrocinado pela USAID. Não constavam das orientações recebidas quaisquer aferições de aprendizagem, testes ou exames. Trinta dias após o início do curso, foi anunciada uma avaliação formativa, como verificação dos desempenhos. Ouviram-se reclamações de estagiários de alguns países da América Latina. Essa atividade não estava sendo esperada. Muita gente caiu do cavalo, e, pelo insucesso, teve a bolsa de estudos cancelada. Os que foram considerados insuficientes voltaram precocemente para seus países. Sobre o Provão, perguntas estão sendo feitas: sua troca por outro processo seria um retrocesso na avaliação educacional? Sua reprovação é suficientemente justificada? Até que ponto os que o rejeitam têm razão? ? Uma comissão designada pelo MEC pretende oferecer repostas a essas indagações. (*) É MÉDICO E EX-SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO E DE SAÚDE

Relacionadas