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Opinião

Come�o sangrento

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Sonhado como a aurora de um novo tempo, este século XXI (pelo menos nestes seus primeiros anos) parece querer reafirmar-se como o contrário do desejado. O terceiro milênio precisa ser desanuviado, e rapidamente. Nas últimas semanas, uma série de fatos e ameaças turvou ainda mais o cenário global. As lembranças do 11 de setembro insistem em ficar como testemunho de um terror vívido, presente, sempre atiçado. Cada ação apresentada como sendo de combate ao terrorismo acrescenta mais terrorismo; não o combate, provoca-o, instigando um jogo de morte e destruição real. Em todo lugar, a violência é o traço comum. Alhures, no distante Oriente Médio, homens e mulheres metamorfoseiam-se em bombas, despedaçando a si próprios e a inúmeras vítimas inocentes; naquela terra tida e havida como santa, um governo estabelecido anuncia que vai ?exilar ou matar? o líder de um povo irmão-inimigo (queiram ou não queiram, hebreus e árabes são semitas e coabitam aquelas paragens desde tempos imemoriais). Aqui, no nosso Brasil, um relatório assinado pela ONG Justiça Global afirma estar localizado ?um dos países mais violentos do mundo, onde impera a impunidade e a existência de grupos de extermínio até mesmo liderados por policiais?. Esse documento, intitulado ?Execuções Sumárias no Brasil? lista 349 assassinatos, perpetrados entre 1997 e 2003, que caracterizariam a participação direta ou indireta de ?agentes do Estado?. O documento merece ser estudado, discutido, refutado - mas foi divulgado logo depois do revoltante trucidamento, por tortura, de um comerciante de origem chinesa preso por tentar sair do País com 30 mil dólares não declarados. Segundo os estudos da Justiça Global ?em 2000, os estados, que são os responsáveis pela segurança pública, informaram que 1.519 pessoas morreram pelas mãos da polícia?. Porém, a entidade assegura que, ?de acordo com reportagens da imprensa brasileira, se calcula que em 1999 houve 13.917 mortes cometidas por policiais ou grupos de extermínio, sendo que estes últimos costumam estar ligados às polícias?. São dados terrificantes. Devemos nos chocar, nos escandalizar e nos mobilizar para mudar esse quadro, aqui e em todos os lugares. O sonho do terceiro milênio precisa ser defendido.

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