Opinião
Duas horas, um Brasil
Lá vem de novo o horário de verão. Alguém vê alguma vantagem nessa medida? Segundo o balanço feito dos resultados obtidos com essa mudança de hora em 2002, a economia de energia foi de insignificantes 0,2%. E a meta planejada pelo Ministério das Minas e Energia para aquele período já era bem acanhada: apenas 0,6%. Tomando como base a economia perseguida (no ano passado, de 0,6%), vale mesmo a pena tamanho sacrifício? Um dos problemas é que o País muda de horário em parte, causando o desencontro entre as regiões que estão ou não incluídas no ?horário de verão?. E não se tem idéia de quais prejuízos esse desencontro causa (ou não causa nenhum dano aos negócios e a vida dos cidadãos?), o que seria essencial para a avaliação correta dos resultados de tal genial idéia. O ?horário de verão? já é musa balzaquiana, completando este ano sua 30a experiência. Mas como foi inventado em 1931, há 72 anos, está claro que não vigorou em todos os anos desde então, alcançando o século XXI com uma média de 50% - mais ou menos ano sim, ano não, a confusão se estabelece. Neste ano, a diferenciação de horário será iniciada no dia 19 de outubro (zero hora desse domingo) e se alongará até 14 de fevereiro de 2004. Uma hora separará o Brasil. As regiões Norte e Nordeste, além do Estado do Mato Grosso, ficam na hora convencional, enquanto o resto do País dará um pulo de uma hora. Explicações técnicas são esgrimidas em defesa da idéia, mas não há notícia de que tenham conseguido convencer alguém nessas sete décadas de confusão de verão. Como sempre, a explicação oficial é ?o objetivo central do horário de verão, reduzir o uso de energia nos horários de pico para manter a segurança do sistema elétrico do país?. Na avaliação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), ?no início do mês, a medida é necessária, apenas de não ser ?absolutamente indispensável? neste ano, devido à sobra de energia no sistema provocada pela redução do consumo?. Entenderam? Entendendo ou não, o Brasil terá mais um verão de confusão. Não é hora de se mudar a forma de se enfrentar esse problema estratégico da energia no Brasil e arquivar esses velhos paliativos?