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Opinião

Ventos da Argentina

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Quando o economista Celso Furtado propôs a decretação da moratória, como instrumento de negociação com o Fundo Monetário Internacional (FMI), parecia adivinhar que poucos dias depois a Argentina entraria em default para arrancar do organismo um acordo extremamente favorável. As difíceis condições da economia argentina (em grande parte devido à submissão total à política do FMI) permitiram esta ousada manobra, que, por sua vez, contava internamente com amplo apoio popular. A Argentina era considerada pelo FMI como país-modelo. Aqui no Brasil, importantes economistas chegaram ao ponto de defender o fim da moeda nacional (eram os reflexos do fim da história e do triunfo da potência hegemônica, os Estados Unidos) e a adoção de um modelo mais radical do que o argentino. Tudo em nome da ?inserção do país no mundo globalizado?. Porém, antes que a idéia de copiar o modelo argentino pudesse ser colocada em prática, a nau portenha soçobrou. Na falta de uma política alternativa a do FMI, e como o país era por ele conduzido, o ministro da Fazenda argentino (que nada mais era do que um pró-cônsul do Fundo) foi compelido a seguir uma cartilha que garantisse, a qualquer custo, os lucros dos investidores internacionais. Desta forma, a política econômica aplicada naquele vizinho país nos últimos anos (e ainda em vigor) para efeitos de direitos autorais é a do FMI. O Brasil, também seguidor das ordens do Fundo, continua o espetacular mergulho na recessão (o IBGE divulga queda no emprego industrial pelo sexto mês seguido). Por isso, causa certa perplexidade a declaração do economista-chefe do FMI que afirmou a necessidade de o Brasil crescer a taxas bem mais elevadas e por um longo período para se ver livre de uma crise financeira, pois sua vulnerabilidade externa é ainda enorme, dependendo de capitais de curto prazo para financiar sua dívida, além da queda no volume dos investimentos externos diretos. Crescer seguindo essa velha cartilha do FMI é um mistério. Não seria o caso de aprender algo com o caso argentino?

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