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Opinião

Ensino e linguagem

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GILBERTO DE MACEDO * Da experiência de ensino, por cerca de trinta anos, na Universidade, uma das constatações mais evidentes, foi sobre a importância da linguagem no processo de aprendizagem. Linguagem do professor, linguagem do aluno. Da linguagem no discurso magistral, emitida com saber, estimulante, e assimilada pelo aluno. Encontro de linguagens, de correta significação simbólica. Linguagem objetiva, sem ser rígida; direta, sem ser linear; exata, sem deixar de ser conotativa; simples, sem ser simplista; temática sem ser restrita, mas aberta a assuntos afins; limitada ao assunto, sem ser fechada; rigorosa e acessível; opinativa, mas, ao mesmo tempo, disponível à dialética, enfim, linguagem com riqueza semântica. Pois, como já dizia Sêneca ?Ensinando, aprendemos?. Linguagem da liberdade, expondo e se expondo, ofertando conhecimento e predisposta a receber. Construtiva. Linguagem criativa. Cada vez mais fecunda por essa convergência para os fatos, essa concordância dialética com a realidade, com a vida, com as pessoas. É assim como já esclarecia o criador da cibernética, Nobert Wiener: ?A linguagem é um jogo composto, de quem fala e de quem ouve, contra as forças da confusão.? É no caso da aula, esta não é monólogo, senão diálogo, mesmo quando uma das partes, o aluno, está em situação de silêncio. Ouvindo, está-se usando a linguagem, quando se percebe e assimila a fala do orador. A maneira de entender é fruto da linguagem que se possui. Convergência verbo-conheci-mento. Entende-se a mensagem conforme o acervo lingüístico conservado na mente. É o patrimônio lingüístico de cada pessoa. É que, na linguagem, está o saber, que o professor visa transmitir ao aluno. Linguagem é conhecimento. É expressão da realidade, tal como é percebida por alguém. Objetividade e subjetividade encontrando-se. Pois a objetividade absoluta e neutra não acontece no plano humano, aqui está sempre acompanhada de subjetividade. Assim, a linguagem está no centro do processo didático. E não somente verbal, (da palavra falada e escrita), senão também da atitude e gestual, desde o tom de voz aos movimentos corporais e deslocamentos no espaço da sala e, particularmente, do trato pessoal com os alunos. A aula não é demonstração de poder, mas de saber. E assim conquistar o respeito, a admiração e a amizade. Como já dizia Goethe, ?Só se aprende de quem se ama.? É uma atividade agradável, que deixa o bom exemplo, e a melhor saudade. Por isso, outro poeta notável, Pope, recitava: Convém ensinar as pessoas como se não as ensinássemos/ E explicar as coisas que não sabem como se apenas as tivessem esquecido.? Por tudo isso, ensinar exige vocação. É a glória de ser professor. Uma profissão envolvida de nobreza, em todos os níveis. Incomparável, em suas virtudes humanísticas e alcance social. É assim que a linguagem tem posição exponencial no processo ensino-apren-dizagem. Que se a cultive, pois, para a formação das novas gerações e bem-estar da humanidade. (*) É MÉDICO

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