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O poder das novelas

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JOSÉ MEDEIROS * Ao longo do tempo, discute-se a influência e a co-responsabilidade que os meios de comunicação exercem sobre a vida das famílias, como fator de mudança das regras de conduta, de valores e comportamentos. Pesquisas recentes indicam que o impacto psicológico é cada vez maior, principalmente sobre as crianças e adolescentes. A televisão está no topo desse predomínio. É redundância de expressão repetir que a TV é uma mídia extremamente poderosa; seus efeitos são tanto maiores quanto mais amplo seja o número de horas de exposição aos programas telesivos. Encontro uma citação sobre esse assunto que me parece relevante: ?Os jovens passam mais tempo assistindo à televisão que praticando qualquer outra atividade de lazer, e, por vezes, gastam mais tempo de frente à telinha que nas atividades escolares. Ao chegar aos 70 anos poderão ter passado sete a dez anos de suas vidas assistindo à televisão?. Em 1980, o poder da tevê já se fazia sentir. Eu era secretário de Educação e fui convidado a paraninfar concluintes do Curso Pedagógico numa cidade do Interior, tendo sido recebido com muita alegria. Todas as formandas estavam bem vestidas e a cerimônia foi uma beleza de festa. Uma filha que me acompanhava chamou-me a atenção para um detalhe. Todas elas usavam meias soquetes de três listras iguais às usadas pelas personagens da novela de televisão que estava sendo exibida. Explicou-me que havia tentado comprar um par desse tipo de meias, mas não conseguira, pois não havia chegado ao comércio de Maceió, só podendo ser adquirido no Rio de Janeiro. Como num passe de mágica já estavam nos pés das afilhadas. A novela já ditava a moda. Novelas são mania nacional. Além de entreter, às vezes, servem de veículo a importantes campanhas sociais, com esclarecimento sobre doenças, drogas e violência. Mensagens infiltradas nos textos e conteúdos valem mais que muita propaganda declarada. Essas campanhas orientam o comportamento de milhões de pessoas. Poderiam ser ampliadas se houvesse pressão da comunidade ou interesse de governos em divulgar ações úteis de interesse da população. São cada vez mais fortes e cruas as cenas e contextos das novelas. A explicação dos autores é que essa é a realidade da vida e, como tal, não pode ser omitida ou atenuada. Mas, que há exageros, não pairam dúvidas. Geralmente, são exibidas em horários em que as famílias estão reunidas. Durante o dia, a maioria dos pais e mães trabalha, luta pela subsistência. À noite, necessita de contato mais estreito com os filhos, é o momento de conversas, de cumplicidade, de diálogos. Para muitas famílias a palavra ?limite? tornou-se o vocábulo mais repetido, palavra de ordem; para outras, deixam tudo ao ?Deus-dará?. As crianças têm aparelhos de tevê nos quartos e definem o que querem ver sem nenhum controle. É difícil avaliar a extensão dos efeitos (benéficos ou maléficos) da televisão na vida das pessoas, porém, são inquestionáveis as mudanças ocorridas no meio social, no período pós-televisão. Segundo psicólogos, se o poder da mídia fica cada dia mais evidente, em igual proporção ampliam-se as responsabilidades de orientação familiar e educacional. (*) É MÉDICO E EX-SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO E DE SAÚDE

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