loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Filhos do Estado

Ouvir
Compartilhar

JOSIMAR MELO * Para refletir sobre o papel da polícia em nossa sociedade, trago alguns assuntos que, ao meu ver, não são discutidos com a população. Como originou a polícia e a quem ela serve? Creio que algumas pessoas já leram sobre esse assunto, mas que não expõem em debate, pelo menos aqui em Alagoas. A polícia surgiu na antigüidade clássica como órgão de controle social. Durante a Revolução Industrial, a polícia serviu como instrumento dos grandes detentores de capital; a fim de apaziguar a luta de classes teorizada por pensadores como Karl Marx e Friedrich Engels, entre outros. Usando de meios legais, mas imorais sob o pretexto da manutenção da ordem publica, a polícia é usada como instrumento de controle social pelo Estado, mesmo quando essa ordem pública seja ameaçada por greves das polícias. Segundo Max Weber, a característica fundamental do Estado moderno é seu ?monopólio do uso legitimo da força física dentro de um território?, e, de acordo com Leon Trotski, ?todo Estado é fundado na força?. Hoje na prática, quem está no poder usa a polícia com se fosse propriedade particular. Atualmente, de maneira mais sutil, as polícias continuam servindo aos detentores do poder econômico e político, só que divididas em departamento e em setores especializados, por exemplo, em Polícia Federal, Polícia Militar, Polícia Civil e Guardas Municipais. As operacionalidades das polícias denunciam a quem elas verdadeiramente servem. A agilidade e a rapidez com que descobrem os culpados pelos saques do MST nas estradas alagoanas, infelizmente, não são as mesmas das que descobrem os culpados pelos escândalos das Letras em 1997, onde é acusado o desvio de cerca de 350 milhões de reais de Alagoas, causando um grande rombo financeiro nas contas do Estado e provocando suicídio por parte de funcionários públicos. Um outro fato que confirma a quem a polícia serve é a OPLIT (operação litorânea) da Policia Civil, criada para servir as elites que moram na orla marítima de Maceió, fazendo um trabalho ostensivo. Vale ressaltar que pela Constituição Federal esse tipo de trabalho é de competência da Policia Militar. Criada pelo Estado com o consentimento da sociedade, a polícia usa da coerção, controle e repressão necessários, mas que não são agradáveis. A polícia serve também de instrumento para organizar ou ?democratizar? a miséria, como vimos nos jornais que circulam em Maceió, onde 600 famílias, que sobrevivem do lixão da SLUM, em Jacarecica, disputaram coletes para poder catar lixo, aliás parte desse lixo é produzida pela elite maceioense. E a chefe do Executivo municipal, que é socialista, por sua vez, solicita a polícia e guardas municipais para conter a revolta daquelas famílias que não conseguiram os coletes. A atividade policial representa o uso da força da sociedade contra si mesma, principalmente contra a população mais carente, de algum modo, isto é vergonhoso e embaraçoso do que usar a força contra estrangeiros. É lamentável o uso da polícia pelo poder municipal para reprimir as famílias que vivem do lixo. Talvez seja por isso que a sociedade tem preconceito e discrimina os policiais, onde só os policias são vítimas e os comandantes saem ilesos dessa discriminação. Portanto, ao longo dos meus dez anos de polícia, nunca presenciei a instituição policial afirmar aos seus policiais o que está, de fato, por trás dela, talvez isso seja proposital com um objetivo. Que os filhos (os policiais) não questionem e não se rebelem contra ele, seu próprio pai (o Estado). (*) É AGENTE DE POLÍCIA E ALUNO DO 4º ANO DE CIÊNCIAS SOCIAIS - UFAL

Relacionadas