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Opinião

�ndices sem surpresa

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Não restam dúvidas que a performance política do governo Lula em seus primeiros nove meses é digna de todas as atenções. Habilidade não tem faltado e o desafio de se manter a estabilidade tem sido vencido. Os elogios do Fundo Monetário Internacional são verdadeiros atestados de boa conduta frente ao grande mundo financeiro. Igual tirocínio tem sido demonstrado na implementação das chamadas ?reformas estruturantes?, conjunto de polêmicas modificações constitucionais há muito reclamadas e que FHC intimidou-se em levar adiante. Mas apesar dos elogios do FMI e dos aplausos de muitos que eram opositores ao atual presidente, alguns dados deveriam reforçar a preocupação dos condutores do governo da República. O índice risco-país tem caído, restaurando a confiança internacional no Brasil, mas, em compensação, o risco-decepção deve ser considerado como dado interno. Afinal, as mudanças ainda são esperadas e milhões seguem confiando que depois dessa tempestade conservadora, advirá a bonança ? tempo onde os excluídos sonham em ter direito a algo mais que cartões neofilantrópicos. Turvando o horizonte esperançoso, estão como estacionadas no firmamento as nuvens carregadas do desemprego e da recessão. Volta a crescer a taxa de desemprego, que atingiu a marca recorde de 13% em agosto deste ano (segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Segundo parte da grande mídia, isso é ?surpreendente?, porque em julho, a tendência de alta dos meses anteriores havia ?caído de 13% para 12,8%?. Pode parecer ridículo, mas essa redução foi analisada como sendo indício de recuo verdadeiro do desemprego. Na verdade, apenas a boa vontade pode alimentar o sonho do desemprego ser reduzido sem medidas concretas para o reaquecimento da economia. E nada tem sido implementado nesse sentido. Acreditar que o emprego aflore por simples desejo é pura ilusão. A recessão continua em cartaz, o desemprego segue voraz. Essa realidade não pode surpreender ninquém, e muito menos ao governo. O que o país reclama, com urgência, é uma mudança de rumo com o fim da estabilidade na recessão. Quem sonha com o desenvolvimento brasileiro espera ainda, pacientemente, ter motivos para aplaudir.

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