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Opinião

SEMEANDO DESAGREGAÇÃO

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Tolstoi, em sua obra Cartas fez uma reflexão extremamente oportuna e atemporal: “Os homens distinguem-se entre si também nesse caso; alguns primeiro pensam, depois falam e, em seguida, agem; outros, ao contrário, primeiro falam, depois agem, e , por fim, pensam”. Falar precipitadamente sempre é um risco, todavia, os que pensam muito e só depois falam, nem sempre agem de boa fé.

Isso se pode observar no Congresso Nacional, que depois de anos de inação, dependendo do Executivo para tomar decisões, parece estar gostando de assumir o protagonismo, o que tem sido BOM para o País na maioria das vezes. Mas quando o Legislativo pensa e resolve mudar a Constituição com o objetivo político de se autoblindar, é muito preocupante: é o caso do Juiz de Garantias, que seria um avanço relevante se não fosse tirado do bolso do colete para travar o combate à corrupção pelos juízes de primeira instância, que têm tido papel preponderante na operação Lava-Jato. A PRISÃO em SEGUNDA INSTÂNCIA voltará a ser debatida, e duas outras mudanças estão em gestão no Congresso, uma com a intenção de barrar a entrada na política de juízes e procuradores, submetendo-os à uma QUARENTENA de 4 a 8 anos, cujo objetivo principal é impedir que SÉRGIO MORO, indicado eventualmente para o Supremo Tribunal Federal (STF) por Bolsonaro para livrar-se dele como concorrente à presidência da República, também seja impedido de pensar na hipótese de candidatar-se a cargo político. Ad latere, o Executivo não dá descanso: o presidente da República faz um desafio aos governadores para extinguir o ICMS nos estados e na União. Deve saber o presidente que com tantos compromissos dos estados com áreas sociais em situação já crítica, como a segurança, saúde e a EDUCAÇÃO, inclusive as universidades estaduais, essa proposta é totalmente inexequível. Bolsonaro a faz por puro POPULISMO, para alimentar o fervor na sua base eleitoral entorpecida com a sua reeleição e sempre sequiosa por hostilidades, enquanto joga os governadores na fogueira. Paralelamente e paradoxalmente, o ministro GUEDES quer CRIAR um NOVO IMPOSTO, mas o faz em debate técnico e civilizado.

O Congresso nesse contexto está pensando e agindo basicamente em causa própria. Já Bolsonaro é um exemplo de quem fala de forma repetidamente inconsequente, tresloucada e sempre causa muito tumulto e perturbação desnecessários, embora isso alimente a sua base eleitoral ideológica. Essas perturbações prejudicam a governabilidade e a recuperação da economia, que depende muito da aprovação das reformas TRIBUTÁRIA e ADMINISTRATIVA, que necessitam de AGREGAÇÃO para superação de divergências abissais. A imprensa livre tem a indispensável missão de informar a opinião PÚBLICA desses desvios, sejam do Legislativo ou do Executivo e proporcionar-lhe à possibilidade de reagir para reduzir os danos que isso possa causar à Nação.

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