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Opinião

SONHO ECOLÓGICO

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Por Editorial | Edição do dia 13/02/2020 - Matéria atualizada em 12/02/2020 às 23h05

O Vaticano divulgou ontem a exortação apostólica do papa Francisco intitulada “Querida Amazônia”. A preocupação pelo futuro da selva amazônica, de seu frágil equilíbrio ecológico, do futuro de seus habitantes, do trabalho missionário da Igreja, são os temas centrais do documento, resultado da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região Pan-amazônica, celebrada em Roma de 6 a 27 de outubro de 2019. Havia a expectativa de que o pontífice acolhesse a sugestão de bispos da região e autorizasse a ordenação de homens casados como padres para atuar na Amazônia, mas isso não aconteceu.

A exortação é dividida em sete pontos. O terceiro capítulo, “Um sonho ecológico”, é o mais relacionado com a Encíclica Laudato si’, do próprio Francisco, lançada em 2015, em que ele denuncia o comportamento “suicida” de um sistema econômico que ameaça o futuro da humanidade. Em sua exortação, o pontífice destaca que na Amazônia existe uma relação estreita do ser humano com a natureza. Para ele, cuidar do meio ambiente e cuidar dos pobres são “inseparáveis”. Para o Papa, é urgente ouvir o “grito da Amazônia”. Francisco recorda que o equilíbrio planetário depende da sua saúde. Escreve que existem fortes interesses não somente locais, mas também internacionais. Ele não vê a internacionalização da Amazônia como solução, mas defende o crescimento da responsabilidade dos governos nacionais. Também defende que o desenvolvimento sustentável requer que os habitantes sejam sempre informados sobre os projetos que dizem respeito a eles. O Papa ressalta, ainda, que a ecologia não é uma questão técnica, mas compreende sempre “um aspecto educativo”. Francisco denuncia o mal da corrupção, que envenena o Estado e as suas instituições. E faz votos de que a Amazônia se torne “um local de diálogo social” antes de tudo “com os últimos”. Para ele, são necessárias “redes de solidariedade e de desenvolvimento”, com o comprometimento de todos. Desde o primeiro momento de seu pontificado, o atual papa tem se voltado para as periferias do mundo e da existência, com clara e valente visão evangélica.

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