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Opinião

Ensino superior: o voo para além do ninho

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Por SUZY MAURÍCIO. psicóloga, mediadora e conciliadora (em formação) pela ESMAL (TJ/AL) | Edição do dia 13/02/2020 - Matéria atualizada em 12/02/2020 às 23h06

A maternidade/paternidade é uma benção de Deus, uma responsabilidade e uma construção contínua. As relações (casamento, união estável, namoro...) entre os pais podem chegar ao fim. No entanto, é importante manter e fortalecer os vínculos de afeto entre estes e seus descendentes (em seu novo rearranjo familiar), tal como regamos diariamente o verde do nosso jardim para florir. Educamos nossos rebentos para o mundo, este nem sempre é o da tolerância, o da equidade, o da justiça. Somos (ainda) estigmatizados pela cor da pele, pela roupa que usamos, sobrenome ou ausência dele, por nossa classe social, por sermos filhos (as) da adoção, da monoparentalidade, da homoafetividade, da socioafetividade, do abandono. A Constituição brasileira (1988) contempla diferentes formas legítimas de família – base da sociedade. No núcleo familiar, a intimidade e a privacidade garantem a concretude dos direitos fundamentais, expressos em seu artigo 5º. São novos tempos, o presente é veloz, global, sem fronteiras e a um click de nós. Há muitos entendimentos, empíricos e científicos, portanto, urge evoluirmos para novos conceitos do político-sócio-cultural e acompanharmos o ritmo dos costumes. Os Jovens de agora hão de fomentar novos olhares, são os construtores do amanhã. Minha infância foi à luz do candeeiro, no Cariri (Feira Grande- AL), com meu pai lendo Jorge Amado e contando causos diante da fogueira, sonhando com os filhos formados. Diante de nós, apenas a palma do gado, um pasto verdejante, vacas e outros animais, nossa casa, a residência dos avós ao lado (sua casa de farinha) e longe haviam outros vizinhos. A estrada ligava 2 municípios sem água encanada ou energia elétrica. A luz, cognoscente, era meu pai. A primeira Escola da minha irmã mais velha foi no povoado vizinho, onde vez ou outra pegava carona de caçuá (cesto grande e comprido de vime, cipó ou bambu, preso ao animal). Eu e os demais demos os primeiros passos na educação libertadora em Arapiraca. Papai sonhava ser engenheiro civil e erguer o concreto armado, contudo, foi um cerealista-empreendedor ao seu tempo. E, sim, graduou seus filhos. A PALAVRA incentivadora de meu pai, foi a mediadora de nós com o mundo, para transformá-lo. Em frente ao clarão dos troncos a queimar, ele tinha o núcleo fundamental do diálogo, a ação e a reflexão que, muitos anos depois, se fundiriam nas práxis de cada filho, para sempre aquecida pelo calor da chama primeira e da sabedoria daquele homem simples, do campo, com olhar de jardim. Mamãe nos ensinou a economizar, mulher criativa e aguerrida.

Tive um filho, Igor, aprovado aos 17 anos numa Universidade Federal de outro Estado, via SISU, rumo ao sonho dele. Na mala: valores familiares e uma espinha dorsal firme de princípios que não se abalará facilmente em meio às tormentas inevitáveis. Aluno exemplar desde o Colégio Rosa Mística, onde estudou do básico ao fundamental, até IFAL Arapiraca. Parece que foi ontem. Seu choro ao nascer, a primeira mamada, o primeiro banho, o umbigo que caiu, quando começou a engatinhar, a erguer-se, os primeiros passos, quando comeu sozinho, foi para o maternal, chutou a bola, correu, andou de bicicleta, caiu, chorou, adoeceu, cresceu...e continua a crescer, com dignidade. Um homem e uma mãe feliz com a trajetória (como tantas outras). Obrigada a todos e todas; minha família, escola, amigos, conhecidos. A luta foi grande. É uma História de uma manhã tecida por muitos “galos, noites e quintais”!

É hora de usar as suas asas, filho, lançar-se ao voo, necessário, para além do ninho. O início é de experimentação, mas aos poucos o equilíbrio vem, e lançar-se-á em correntes desconhecidas...no além-mar. Estarei por perto, sempre, a cada mal tempo. Sinto o ninho vazio, nesse instante. Sei que vez ou outra pousarás em casa. O lar é o ponto de partida e de chegada. Deus o abençoe, siga com fé e que o amor seja a mola propulsora da escalada diária. Aproveite. Não esqueça: “mude, troque suas folhas, mantenha suas raízes...”.

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