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Opinião

Como deve ser o homem

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Por Alberto Rostand Lanverly. presidente da Academia Alagoana de Letras | Edição do dia 13/02/2020 - Matéria atualizada em 12/02/2020 às 23h06

Outro dia, conversando com uma pessoa amiga, debatíamos sobre Deus. Ela, apesar da formação religiosa proveniente da convivência com uma família toda católica, tem lido ultimamente textos sobre espiritismo, doutrina progressista e aberta, capaz de, ao mesmo tempo, ser ciência, filosofia e religião. Ciência, por tratar-se de um conjunto organizado de conhecimentos relativos a certas categorias de fatos ou fenômenos analisados empiricamente, catalogados e relatados por seus pesquisadores; Filosofia, pelo fato de inserir-se no contexto filosófico tradicional, embora de cunho evolucionista e metafísico, pontuando a necessidade do homem ir em busca de seu auto aperfeiçoamento, estimulando-o à averiguação de respostas às questões magnas da humanidade: sua natureza, sua origem e destinação, seu papel perante a vida e o universo; Religião, por ter o dom de unir os povos em um ideal de fraternidade, preconizado por Jesus, filho do próprio Criador. Naquele momento, ao chegarmos no Pai Maior, ela mencionou que se lermos profundamente a bíblia, conheceremos não somente a imensa bondade de Deus, como também sua ira, muitas sendo as passagens onde esta verdade se comprova: O diluvio de 40 dias, por exemplo. Juntos, concluímos ser o homem o grande culpado de tudo. Se estudarmos sobre os Papas, por exemplo, veremos alguns da linhagem Médici, Clemente e tantos outros que praticaram atrocidades indescritíveis, em nome Daquele que representavam aqui na terra: mataram, estupraram, roubaram, tiveram amantes e foram subservientes a Reis poderosos, de forma idêntica a qualquer reles mortal. Esta discrepância de comportamento, faz os seres humanos viverem cada vez mais desconfiados uns com os outros, meio viciados em solidão, não sabendo mais falar, abraçar, dar beijos ou dizer coisas aparentemente simples, como “eu gosto de você”. A cada dia, diferentes ameaças pairam sobre nossas cabeças. Iniciamos o ano de 2020 na expectativa de uma possível terceira guerra mundial, gerada pelo conflito de interesses entre o Irã e Trump. Logo a seguir, veio o assombro do apocalipse quando o Coronavirus surgiu como o mais recente vilão da história. Nunca se pode esquecer que bactérias, vírus e outros micro-organismos, parte deles oriundos da própria China, já causaram estragos tão grandes, à humanidade, quanto as mais terríveis guerras, terremotos, tsunamis e erupções de vulcões, sem esquecermos a peste bubônica, cólera, tuberculose, tifo, febre amarela ou febre espanhola, aids, ebola e outras mais. Na realidade, independente da religião, nutro a certeza de que o grande problema do mundo somos nós próprios, os racionais: imagem e semelhança de Deus. Ao terminarmos aquela conversa, com reflexos de inteligência e cordialidade, restou-me a certeza de que, independente dos perigos do cotidiano, nunca devemos ter medo de sermos felizes, cabendo-nos arriscar sempre... cair, levantar! Errou, comece de novo! Perdoar, na medida do possível, esquecer o que passou, construindo o hoje e vivendo o momento, mas, acima de tudo, amando sempre. Assim é como deve ser o homem.

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