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Dra. Elisabete

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DOM EDVALDO G. AMARAL * Na última sexta-feira, dia 19, na Igreja de São Lucas, Paróquia do Divino Espírito Santo, na Jatiúca, foi celebrada missa do sétimo dia, em sufrágio da alma da Dra. Elisabete de Lyra Carvalho, nascida a 22 de maio de 1951 e falecida a 13 de setembro deste ano, já conhecida pelas colegas e amigas, como ?a médica da Casa Dom Bosco?. Realmente, nesses últimos anos, Dra. Elisabete havia se doado inteiramente aos meninos da Casa Dom Bosco, sem outra preocupação, senão a de servir. O ato sagrado, com a participação de grande número de amigos e colegas de profissão, de todos os alunos da Casa Dom Bosco com a sua direção, foi presidido pelo arcebispo emérito de Maceió e concelebrado pelo diretor da casa, padre Tito Régis Rodrigues da Silva. Na homilia da missa, o arcebispo recordou o fascínio do Santo Educador, São João Bosco, que inspira o trabalho educativo e de redenção social, que se realiza naquela casa, que leva seu nome, o qual, mais que um nome, é programa de ação e método de educação, para os meninos de rua, acolhidos e re-educados na Casa Dom Bosco. Dra. Elisabete ? afirmei ? fora também fascinada por esse ideal, ao qual entregou sua vida e dedicou todas as suas energias até o final de sua existência terrena, como modelo aos que se dedicam ao serviço do próximo. Lembrei ainda, na reflexão litúrgica daquela celebração, a palavra de Jesus ?Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus?. Com efeito, Dra. Elisabete, em seus últimos anos, praticou autêntico despojamento dos bens materiais, privando-se de tudo, que sua posição de médica, e médica bem conceituada, podia dar-lhe de conforto material e bem-estar financeiro, para se dedicar com exclusividade ao serviço dos irmãos mais necessitados e excluídos da sociedade de consumo em que vivemos. Padre Tito, na qualidade de diretor da instituição que mais vinha sendo amparada e ajudada nestes últimos anos por Dra. Elisabete, relatou o muito que ela fazia pela Casa Dom Bosco, sua extrema dedicação para com os meninos e sua doação ilimitada no serviço da caridade operosa. Ao final do ato sagrado, foi lida comovente mensagem de sua filha Isabelle, cuja transcrição aqui me parece muito apropriada. Foi a seguinte: ?Mamãe, quando dizias ? ?As coisas deste mundo já não me interessam mais? ou ?o meu único desejo é ser santa e ir para o céu?, quanto brilho eu via em teu olhar, mas ainda não percebia que só em Deus estava tua alegria e já não estavas mais aqui. Como é lindo te ver em cada esquina e perceber que estás sempre acompanhada... Encontraste a beleza infinita que tanto procuravas... Por que chorar? Seria muito egoísmo de minha parte. Mesmo sabendo que estamos neste mundo de passagem, eu jurava pela tua eternidade... Mas agora sei, que te eternizaste em minha vida e na de tantas outras pessoas. É bonito poder te encontrar em cada criança, que atendias, na pureza, na alegria! Vejo teus lábios dizendo-me no passado e agora ecoando no presente: ?Estou morta para o mundo e o mundo está morto para mim.? Vejo-te renascendo para a plenitude... Quanta alegria! Quanta saudade! Desejo ainda te encontrar, deitar em teu colo... Mas sei que preciso mudar ainda muito meu coração para alcançar o lugar que alcançaste. Lutarei agora para um dia estar contigo... junto dos anjos e dos santos, eu um só coro, em um só olhar, em uma perfeita comunhão, para contemplar Aquele que É!...O oceano de amor, em que tu, simples gota, foste derramada. Espero ainda algum dia te chamar de MÃE outra vez, mesmo que já não seja mais necessário. Reverenciarei este anjo que Deus pôs presente em minha vida. Mãe, obrigada por tudo! Tua filha, Isabelle.? (*) É ARCEBISPO EMÉRITO DE MACEIÓ

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