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Quest�o de soberania

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EDUARDO BONFIM * Torna-se evidente o declínio e descrédito total do chamado ?pensamento único hegemônico?, que engloba um conjunto de conceitos, perpassando pelos negócios, economia, geopolítica, nações e uma série de outras discussões. Ele possui como carro-chefe a estratégia econômica de expansão e domínio por parte do grande capital, em especial o especulativo, e submissão, através da capitulação, das nações não hegemônicas ao núcleo de países denominados como as grandes potências militares e econômicas, muito em especial os EUA. Tal ideologia apregoava o fim das nações e, em conseqüência, das fronteiras nacionais, portanto, a circulação livre das mercadorias, onde as relações de trocas comerciais dar-se-iam em condições de equanimidade. Sob o seu controle, organismos financeiros e comerciais internacionais. Resumidamente, estes preceitos conduziriam o mundo e os povos, a uma nova era de fartura e prosperidade, paz e liberdade. Seria aquele ?Admirável Mundo Novo? que nos descrevia o grande romancista. A realidade mostrou-se trágica. Fome, miséria em escala jamais presenciada. Além disso, consolidou-se o maior império militar de que a História tem conhecimento. Bárbaro e insaciável como todos os seus antecedentes. Só que bem mais poderoso, sem um campo que refreasse os seus ímpetos anexionistas. Como o espaço é exíguo, passo aos tempos atuais. A esta supremacia avassaladora, de território e economias arrasadas, surgiu pelos quatro cantos da Terra, o contraponto teórico, político e mesmo militar. Ainda no campo da resistência. Até o momento, o Império tem levado vantagem. Mesmo que a cada vitória aumente o grau de dificuldades e revoltas por todos os continentes, constatados em pesquisas, inclusive no Brasil. Não é por acaso que a história da humanidade registra, em todas as épocas, o crescimento e declínio dos grandes senhores do mundo. A verdade é que, atualmente, dois fatores são imprescindíveis para a sobrevivência dos Estados Nações diante da ação avassaladora dos novos predadores. Primeiro, a luta decidida dos cidadãos e suas instituições armadas, em defesa da integridade dos limites do seu espaço territorial. Ao mesmo tempo, a preservação de um outro elemento substancial que integra, incorpora a existência ou não de uma pátria - a cultura de um povo. Hoje, talvez em função dessas novas condicionantes, percebe-se que o termo extrapola a visão deformada de que esta é uma questão menor, restrita aos teatros requintados e outros círculos cultos. Coisa para iniciados. Extrapola os importantes centros de excelência, sejam eles universidades, clubes, academias ou institutos. Todos eles imprescindíveis, fundamentais mesmo. A cultura, se já não era uma necessidade sempre presente, hoje mais que nunca, passa a ser uma questão de sobrevivência nacional. O Brasil, como qualquer outro país, possui duas fronteiras claramente delimitadas, a física e a cultural. Esta última significa a nossa história, nossa identidade, valores, tradições e renovações. Não se resume ao campo das artes, mas abrange vastas áreas do conhecimento, inclusive científico e tecnológico, e outras tantas. Há, no entanto, uma outra questão vital, fundamental. A apropriação pelos amplos segmentos do povo desta cultura. É o que significa ?inclusão cultural?. Desta maneira, cresce a capacidade de emancipação da sociedade em larga escala, tanto na reflexão do ser coletivo e individual, como na busca da verdadeira libertação social, na trajetória do desenvolvimento nacional. Porque as nações hegemônicas, especialmente os EUA, desejam manter os nossos ?braços ativos e as nossas mentes inertes?. Um ?deserto de pensamento? e uma esquizofrenia antropológica. Os novos ventos que sopram, elevaram, com urgência, a cultura ao patamar de instrumento indeclinável de fronteira e soberania nacional. (*) É ADVOGADO

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