Opinião
DEPÓSITOS DE GENTE
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Levantamento divulgado ontem mostra que Alagoas está em oitavo lugar no que se refere a superlotação dos presídios. A população carcerária do Estado é quase o dobro da capacidade do sistema prisional.
O Brasil tem hoje uma das maiores populações carcerárias do mundo, com mais de 700 mil pessoas detidas, um crescimento exponencial nas últimas décadas. Mesmo assim, a violência só fez aumentar. Embora as estatísticas mostrem que prender mais não resulta necessariamente na redução da violência, o senso comum é de que é preciso construir mais presídios. Boa parte da população veem o combate à violência e à criminalidade apenas pelo lado da repressão, incluindo a redução da maioridade penal e a instituição da pena de morte. Há pouca discussão sobre políticas de prevenção. A principal causa das prisões é a droga, e a maior parte dos detentos é pobre e negra. Em 2014, eram 622.202 presos no Brasil. Naquele ano, o País estava na quarta posição, atrás de Estados Unidos, China e Rússia. No entanto, os três países que lideram a lista estão com os números estáveis. O fato é o sistema prisional acaba funcionando como um depósito de gente e uma universidade do crime. Especialistas defendem que a prisão deve ser destinada apenas àqueles que de fato representam um perigo à sociedade e por isso devem ser privados de liberdade. É preciso, pois, separar os acusados ou condenados por crimes de baixo impacto social dos que praticam crimes bárbaros, chocantes ou hediondos. É imperioso impedir que autores de delitos não graves caiam nas garras de organizações criminosas que dominam os presídios brasileiros e ampliam cada vez mais seus tentáculos. Para isso existem as penas alternativas, com outras formas de pagar a dívida com a sociedade. O combate à violência passa pelo melhor aparelhamento das polícias, com agentes bem treinados e com bons salários, além de investimento em inteligência, mas também por políticas sociais voltadas principalmente para os jovens da periferia.