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GILBERTO IRINEU * A universidade brasileira permanece afeiçoada aos mesmos mecanismos e práticas do passado, sem, no entanto, assumir os desafios impostos pela força do tempo e da história. Por isso, a fisionomia dessa instituição e o seu papel junto às comunidades tem se desgastado, deliberadamente beneficiando uns poucos em detrimento da maioria, reforçando, assim, o pacto da exclusão social. Diante desse descompromisso, a própria sociedade vai criando mecanismos próprios em interações e produção de saberes que nascem, revigoram-se e são aprimorados nos próprios grupos comunitários, sem, contudo, precisar da universidade. São conhecimentos informais, assistemáticos, porém, geradores de respostas reais. Afastada do povo e de suas necessidades, a universidade dedica-se a cultivar ilhas de ilusões, que não retratam nem expressam os reais anseios da população, embora esteja repleta de rótulos ?culturais?. Com um discurso estilista e descontextualizado, essa instituição de ensino superior parece desempenhar um papel mais que secundário no conjunto da educação social do povo. Assim sendo, é preciso ultrapassar as aparências, examinar suas essência, detectar sua força e comprometer-se com as aspirações populares. Em função disso (entre outros problemas) tem perdido espaço para os centros privados de ensino superior, que proliferam em todo o País, arrebanhando particularmente uma massa de jovens trabalhadores que pagam os olhos da cara para cursar uma escola superior no horário noturno. A universidade brasileira tem que despertar para isso. É preciso, ainda, acordá-la e reconstituí-la como um espaço de saber vivo e não deixá-la perdida no conjunto de tantas atividades ritualísticas e mornas. Que o sabor teórico, elitista e elitizante seja substituído por um saber encarnado no dia-a- dia da população e que contribua, de alguma forma, para suavizar e minimizar os bolsões de miseráveis e analfabetos existentes nas favelas e nos grotões da periferia da capital alagoana. Nesse sentido, a educação superior não deve ser tratada isoladamente, mas à luz dos reais problemas e dos amplos desafios que se sobrepõem. Entendemos, ainda, que o saber produzido não apenas seja consumido, mas renascença das amplas carências e manifestações humanas. Só assim, a universidade poderá retomar e redirecionar a sua força renovadora e dinamizadora das relações interpessoais no seio das diversas camadas sociais. Assim sendo, a universidade há de ter responsabilidades maiores como produtora e disseminadora de ciência, cultura, tecnologia e cidadania. O Brasil precisa de uma universidade assim. (*) É ADVOGADO E PRESIDENTE DA COMISSÃO DE DEFESA DA CRIANÇA E ADOLESCENTE DA OAB/AL

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