Opinião
Risco de colapso
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O ato de doar sangue produz vários benefícios à saúde de quem resolve praticar a doação. Estudos científicos já comprovaram, por exemplo, que o sistema cardiovascular de um doador regular de sangue é favorecido pelo gesto.
A partir da doação, há consequências que afetam positivamente o sistema de saúde e a vida de outras pessoas. Doar 450 ml de sangue pode ajudar a salvar até quatro vidas. A ausência de estoque prejudica tratamentos e pode levar ao cancelamento de procedimentos cirúrgicos.
Mas, se a doação de sangue é simples e fortalece a saúde de quem doa, então por que o Ministério da Saúde contabiliza como doadores apenas 1,9% da população brasileira? E olha que a maioria dos estados e grandes municípios realiza campanha regular de massificação em prol do ato de doar.
Em Alagoas, o quadro é certamente mais crítico do que a média constatada no País. Informações dão conta de que o Hemocentro do Estado necessita, pelo menos, de 500 bolsas de sangue estocadas neste período carnavalesco.
O número de bolsas disponíveis está bem aquém e os técnicos da instituição vivem em permanente angústia, temendo colapso. Esse quadro recorrente não sensibiliza o governo Renan Filho. Nem os apelos por campanha de conscientização permanente movem a máquina publicitária milionária do governo em favor de um setor que cuida da vida.
Pelo contrário, o descaso chegou ao ponto de o governo abandonar, desde 2016, o ônibus destinado à coleta itinerante de sangue. O equipamento virou uma carcaça imprestável, após ser abandonado nas dependências da Academia da PM. O Hemocentro, portanto, segue no bloco dos esquecidos por esse governo.