Opinião
A incomparável banda Queen
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Conheci a lendária banda Queen no início de 1985, na primeira edição do Rock in Rio. Em minha mente ainda está viva a imagem de Freddie Mercury cantando “Love Of My Life”, acompanhado pelo guitarrista Brian May. Daquele mesmo show, ainda me emociona o domínio de palco (e público) do frontman Freddie Mercury ao cantar “Radio Ga Ga”. A magia do rock apresentava-se ali e, com brevidade, se incorporaria à minha filosofia de vida.
Aquela apresentação causou-me um impacto musical que formaria minha personalidade. Apesar disso, custei a conhecer por completo a música e a história do Queen. Morava numa cidade do interior de Alagoas em meados da década de 1980, o acesso à informação era – digamos – muito difícil, em especial para quem curtia roque inglês. Só dois ou três anos depois, quando conheci meu amigo João Kleber Sousa (fã e colecionador da banda), que cheguei a verdadeiramente apreciar a obra completa da banda inglesa. Quase pirei com tanta informação, tanto no que diz respeito à música e às artes quanto no que diz respeito à própria atitude roqueira moderna. O primeiro álbum ao qual dediquei minha atenção foi o suntuoso A Night At The Opera, que contém as conhecidas “Bohemian Rhapsody” e “Love Of My Life” (essa possui um sofisticado arranjo com que até hoje fico extasiado: complexidade e simplicidade musicais numa só obra, paradoxo que só o Queen sabe a fórmula). A essa altura o Queen já havia me conquistando, mas foi quando meu amigo Kleber me mostrou o álbum News Of The World que também me tornei fã do supergrupo. De cara, a capa retrô do disco de vinil (inspirada em filmes de ficção científica) me chamou atenção para o contexto cinematográfico daquela imagem. Muito bonita. A música de abertura é “We Will Rock You”, um hit cantado duzentas mil vezes por mim e por minha filha no momento em que eu lhe apresentei o mundo da guitarra elétrica, ainda quando ela usava fraldas e começava a pronunciar as primeiras palavras. A canção seguinte é a belíssima “We Are The Champions” – clássico eterno cantarolado pelos estádios nos eventos esportivos mundo afora. Agora, meu caro leitor, é “Spread Your Wings” a minha preferida. Balada de primeira grandeza, ela me traz um sentimento nostálgico de paz que só as crianças puras sentem. Lembro-me de quando ouvi a enigmática “Mustapha”, do álbum Jazz, achei-a esquisita, com meia dúzia de palavras criadas por Freddie e arranjos à moda muçulmana. Dela não gostei à época – hoje a acho incrível. Para contrastá-la, a música seguinte é a acessível “Fat Bottomed Girls”; com música e arranjo de Brian May, o destaque aqui fica por conta da interpretação coral no início. Os arranjos vocais no Queen sempre tiveram o mesmo prestígio que a guitarra de Brian May, o baixo de John Deacon ou a bateria de Roger Taylor. Na longa discografia do Queen, os álbuns estão recheados com canções que existirão enquanto o mundo for mundo. “I Want To Break Free”, “A King Of Magic” ou “I Was Born To Love You” estão aí para nos provar que não são só bons roques, são obras-primas universais tão importantes quanto uma escultura de Michelangelo, uma pintura de Leonardo da Vinci ou um livro de Hemingway.