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Opinião

Velha política

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Enquanto os blocos carnavalescos se preparavam para arrastar multidão nas prévias de Maceió, a equipe de reportagem da Gazeta se debruçava em planilhas oficiais referentes à programação financeira de janeiro deste ano. Denúncias davam conta de que o governador Renan Filho havia ordenado ao seu secretário da Fazenda a partilhar os recursos com as secretarias sob critérios e prioridades questionáveis.

Apuração meticulosa comprovou a gravidade da situação, pois a máquina de propaganda governamental recebera para torrar, somente em janeiro, vultosos três milhões de reais. Na mesma programação de início do ano, o Palácio determinou apenas R$ 1,8 milhão à Educação do Estado. Quem desejar checar na fonte as prioridades de ponta-cabeça de Renan Filho, basta acessar o Diário Oficial do Estado de 15 de janeiro último, em sua página 10. Ou retornar um ano no tempo e verificar que, no primeiro mês de 2019, a deformação já vinha ocorrendo – e se repetindo no curso do governo. Como o verdadeiro jornalismo deve sempre fiscalizar o poder e seguir o caminho do dinheiro advindo do bolso do contribuinte, a Gazeta rebuscou outras planilhas, publicadas no Portal da Transparência. E a conclusão é de que os gastos do gabinete do governador com cargos comissionados ultrapassam em 400% as despesas com cargos de confiança na Educação. Os gastos palacianos com cargos comissionados também ultrapassam todas as pastas que deveriam desenvolver efetivas políticas sociais em Alagoas. Renan Filho segue transitando entre o discurso falacioso da nova política e a velha prática cotidiana – aí, sim, no mundo real -, com nomeações politiqueiras e carguinhos fisiológicos para correligionários. Enquanto isso, a Educação vai tropeçando em seus descaminhos, distante do chão da escola pública, que precisa universalizar o acesso ao ensino para milhares de jovens órfãos de oportunidades em Alagoas.

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