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Opinião

Piadas sem graça

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Como o regime da Cortina de Ferro - países do leste europeu totalmente submissos ao regime comunista soviético - era extremamente repressivo, impedindo qualquer manifestação pública contrária, a única alternativa que restava para o povo desafogar a sua angústia eram as piadas sobre o regime ditatorial´. Elas eram contadas em surdina nas fábricas, nas faculdades e nos bares. O livro Foi-se o Martelo, de Bem Lewis, é a história do comunismo contada em piadas coletadas naquele período e naquela região.

Em Roma, o pão e o circo eram a ferramenta de governo para distrair e desviar o povo das agruras do cotidiano. A informação do PIB de 2019 ser apresentada pelo presidente da República através de um palhaço fantasiado com a faixa presidencial, um tal Carioca, não teve graça nenhuma nem desviou a atenção do problema. Brincar com o crescimento pífio do PIB em um país com 12 milhões de desempregados, com as conseqüências nefastas disso para o cotidiano do cidadão de baixa renda ou sem renda, não é engraçado, é irresponsabilidade, falta de compostura. O problema de o PIB ser o menor dos três últimos anos e menor do que os dois do governo Temer é péssimo, como salientou o secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, e jamais engraçado. Também não é engraçado o ministro Guedes afirmar que “o Brasil tem 15 semanas para mudar”, período no qual informa que as reformas que faltam necessitarão ser aprovadas: algumas das que constam ali, como a Administrativa, nem foram mandadas para o Congresso ainda. Numa só semana de julho, Guedes estima votar a PEC 188 (pacto federativo) em segundo turno na Câmara, a reforma Tributária em segundo turno no plenário do Senado, a reforma Administrativa em segundo turno no plenário do Senado e o projeto de lei 6407 (mudança do marco do gás natural) no plenário do Senado - fantasia. O Brasil aprovou a reforma da Previdência, alardeada como fundamental para desenvolver o PIB, no atual governo, o Teto dos Gastos e a reforma Trabalhista, ainda no governo Temer. O pífio PIB de 2019 mostra que algo mais precisa ser feito. A situação do PIB brasileiro só tem piorado. Em 1980, o PIB per capita brasileiro equivalia a quase 40% do dos EUA. E hoje está em 26%. Nesse período, o PIB per capita do Chile passou de 27,4% para 41,5% do indicador dos EUA; o da China, de 2,5% para 28,9% e o da Coréia do Sul, de , de 17,5% para 66%, segundo o FMI. Nesse cenário político de permanente confronto institucional provocado pelo Executivo, as reformas propostas por Guedes, e ainda não realizadas, dificilmente o serão aprovadas nesse período; some-se a isto as repercussões econômicas do coronavírus, já gravosas mundialmente, os episódios como o motim da PM em Fortaleza e a sua condução polêmica por algumas autoridades, cenário que amedronta e afasta os investimentos, principal razão do “pibizinho” de 1,1%. Governos anteriores que desprezaram o Congresso e governaram sem maioria não terminaram bem. Repetir essa situação só interessa aos que querem o quanto pior melhor.

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