Opinião
A CRISE E A DESCONFIANÇA
O mercado financeiro internacional viveu ontem um “tsunami” como consequência do impacto do coronavírus na economia mundial. As principais bolsas de valores tiveram quedas acentuadas e algumas tiveram de interromper os negócios.
Nesse cenário, o Brasil foi um dos países mais prejudicados pelo pânico nos mercados financeiros globais nesta semana. Nossa moeda foi uma das que mais se desvalorizaram e ontem chegou a bater nos R$ 4,80. Investidores ao redor do mundo estão cada vez mais pessimistas com o impacto da epidemia na economia global, mas as perdas no Brasil foram vitaminadas por fatores domésticos. Decepção com dados econômicos e previsões menores para o PIB brasileiro neste ano também pesam sobre os ativos brasileiros – especialmente no câmbio. Para a diretora de pesquisa do FMI, Gita Gopinath, os países precisam agir rapidamente para impedir que uma crise temporária provoque danos permanentes para famílias e empresas. Para Gita, é preciso evitar que se rompa “a rede de relações econômicas e financeiras entre trabalhadores e empresas, financiadores e tomadores de empréstimo, fornecedores e consumidores” em todo o mundo. Programas temporários de transferência de renda, subsídios e isenções de tributos são algumas das medidas defendidas.
A diretora do FMI recomenda que os governos reforcem a proteção tanto a desempregados quanto a trabalhadores afastados por problemas de saúde, aumentando a duração de benefícios ou relaxando as exigências para obtê-los. O fato é que o avanço do coronavírus deve reduzir o crescimento da economia brasileira neste ano, frustrando mais uma vez as previsões dos analistas. E não se trata apenas da pandemia. O atual presidente prefere perder tempo com questões menores, jogando para terceiros a culpa pelas questões mal resolvidas. Enquanto isso, a equipe econômica não parece ter ideia clara do que fazer nesse momento cruciante. Com isso, a incerteza tende a se elevar. Sem confiança no governo e em sua política econômica, não há investimento; sem investimento, nenhum país consegue crescer.