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Opinião

Redescoberta do outro

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DOM FERNANDO IÓRIO * Não poucos pensaram ser o início do novo milênio os primeiros passos para a negação do Sagrado. Muitos apostaram na inutilidade de Deus para o mundo da pós-modernidade. Que vivemos um tempo de naufrágio e de queda, pessoa alguma pode negar. É a crise de indizível vazio que atravessamos. Não porque o homem tenha retirado Deus do seu caminho, senão porque tenta procurá-lo sem saber onde encontrá-lo. Tudo porque o vazio vem tragicamente escondido por trás das máscaras das paixões ideológicas. As inquietações do presente surgem como procura ingente do sentido perdido, esforço incontido para reencontrar o que resistiu para além do naufrágio, como reconhecer o horizonte último para medir o caminho daquilo que é penúltimo. O sentido perdido se revela na procura da redescoberta do outro, do próximo, desafiando o sair de nós mesmos; revela-se na renovada ?nostalgia do totalmente outro?, na procura do alicerce último, dos horizontes derradeiros. O sentido do perdido se revela no grito do abandonado da Cruz que ultrapassa a farsa totalizante da ideologia. O novo milênio surgiu apresentando um verdadeiro Teotropismo ? uma volta para Deus, para o sagrado, revelando o ser humano como um ser religioso. Evaporaram-se as ideologias, os paradigmas do mundo sem Deus entraram em parafuso e a esperança vem firmando o ser humano na procura daquela 25ª hora que é a primeira antes da 1ª e a última após a última. A atual onda da procura do Sagrado gera um misticismo às avessas: de um lado, a idolatria do capital e do mercado; de outro, mergulhar no mistério, seja pela via dos aditivos químicos, como as drogas, seja pela via dos modismos religiosos e esotéricos. Ao contrário das tendências esotéricas voltadas para o próprio interesse, o cristianismo faz do próximo, do outro uma referência divina, proclamando o amor como experiência de Deus. Nessa linha, ressurge a esperança: Deus é servido e contemplado lá onde Jesus se identifica ao reconhecer: ?tive fome e me destes de comer? (Mt.25,35-41), nos meninos e meninas de rua, nos desempregados, nos aposentados, nos oprimidos, nos caluniados. O amor, como desafio místico e político, é a oração como estímulo da ação. Enfim, estamos todos em busca de um sentido mais profundo para esta nossa breve existência. (*) É BISPO DE PALMEIRA DOS ÍNDIOS

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