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Opinião

Otimismo ou pessimismo?

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HUMBERTO MARTINS * A condução ortodoxa das finanças do Brasil, mesmo após a troca de governo, ocorrida em primeiro de janeiro deste ano, apresenta alguns resultados inegavelmente positivos: o real valorizou-se perante o dólar, a cotação dos títulos da dívida brasileira varia dentro de patamares aceitáveis, o crédito do País continua firme nos mercados financeiros internacionais. Mas os resultados práticos para a população, principalmente para os assalariados, continuam negativos. Nos últimos dez anos, a renda dos trabalhadores caiu 8,2%. Em 1992, os salários eram 44% do Produto Interno Bruto (PIB) e ano passado, de acordo com as estatísticas disponíveis, são 36%. Na contramão dessa degradação salarial, o aumento na arrecadação de impostos, taxas e contribuições, que pularam de 12% para 19% do PIB, com um crescimento de 58,3%. Além do arrocho tributário, a renda do trabalhador foi atingida em cheio pela redução dos investimentos no setor industrial. Enquanto os governantes, na última década, concentraram suas atenções e energias em uma política financeira rígida, a rentabilidade do setor produtivo caiu cerca de 80% no período entre 1994 e 2002, enquanto a rentabilidade dos bancos cresceu 131,1%. Outros dados que documentam a prevalência do setor financeiro sobre a produção: também entre 1994 e 2002, os investimentos na área industrial caíram de 20,8% para 18,7%, enquanto, no mesmo período, os ganhos de capital financeiro elevaram-se 15% em média ao ano. Uma das principais conseqüências do Plano Real, acentuada a partir de 1994 do século passado, foi a atração de dólares para o País. Mas se trata de capital que veio apenas em busca das altas remunerações asseguradas pela elevação dos juros. São cortes permanentes de investimentos públicos e aumentos constantes da carga tributária cujos resultados para a economia real são negativos. Infelizmente, as perspectivas, em curto prazo, de uma reação na economia que assegure a retomada do crescimento e dos empregos, são ruins. Demanda mais fraca, produção menor e estoques mais altos são previsíveis. Depois do otimismo inicial, são ostensivos os sinais de desânimo com a política econômica do novo governo, segundo pesquisa da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas, FGV. O ponto crucial da controvérsia entre os que discordam da política econômica oficial e o governo é o alto custo dos juros e a conseqüente impossibilidade das empresas se capitalizarem para investir na produção. A inflação apresenta alguns sinais de retorno, mas serão sem maiores conseqüências, se não houver exagero nas exportações de produtos vitais para o abastecimento interno. O Brasil precisa, na verdade, retomar o seu crescimento econômico com Justiça social, oferecendo oportunidades de trabalho e despertando o sentimento de confiança em nosso povo. O desemprego acalenta o pessimismo. (*) É DESEMBARGADOR DO TJ/AL

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