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Energia de menos

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Uma das conseqüências da deliberada falta de investimentos públicos na geração de energia elétrica provocou um chocante racionamento de eletricidade no penúltimo ano do governo de FHC. De triste memória, o fato provocou mudanças nos hábitos da população (algumas positivas, é verdade) e deixou seqüelas que perduram até hoje, como o tal ?seguro apagão?. O seguro apagão é uma engenhosa forma de se garantir ? para uns ? um tipo de capitalismo sem riscos. Os beneficiários dessa criativa solução seriam os grupos engajados no processo, sempre polêmico, de privatização do sistema elétrico brasileiro. Mas como esse instrumento não passa de um paliativo, o País continua sem políticas alternativas, ou estratégias claras para a questão da energia. Na lista de conseqüências positivas desse quadro, o racionamento forçou a população a reavaliar a forma como consumia a energia elétrica e em decorrência uma série de medidas práticas foram experimentadas e mantidas no cotidiano popular: lâmpadas incandescentes foram trocadas por fluorescentes (mais econômicas); várias formas de desperdício de energia foram eliminadas, etc. Do ponto de vista das empresas, houve também uma modernização forçada, com projetos específicos sendo desenvolvidos e máquinas, equipamentos e procedimentos cambiados em benefício da racionalização de energia. Outro fator que fez os consumidores economizarem energia foi a elevação do preço da tarifa para compensar as empresas do setor elétrico das perdas causadas pelo racionamento. Este fato tem sido, sem nenhuma dúvida, um fator inibidor. Em todo o país o consumo de energia elétrica não voltou aos índices anteriores ao racionamento. O que durante o ?apagão? era algo obrigatório, que rendia multas e no limite provocava o corte de energia, incorporou-se ao cotidiano das pessoas. Os prejuízos para o País, contudo, ainda não foram devidamente debitados e não se sabe até mesmo se poderemos ter um novo racionamento de energia elétrica, porque no fundo ainda carecemos de um projeto estratégico no campo energético.

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