Opinião
Por que não houve coletiva?
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A tradicional e popular folia carnavalesca já passou, as zabumbas e fantasias foram recolhidas e todos retornaram à rotina. No Palácio, o governador Renan Filho resolveu esquecer a costumeira coletiva. Logo após o carnaval de 2019, apressou-se em convocar a imprensa, ladeado por seus auxiliares da Segurança Pública, para trombetear estatísticas referentes à criminalidade no período momesco.
Este ano, a festa acabou e o governador não fez seu carnaval pós quarta-feira de cinzas. Preferiu a operação “boca de siri” a mobilizar os meios de comunicação e ativar a tropa digital oficial. No carnaval passado festejou, alardeando que, das mortes ocorridas, nenhuma aconteceu nos locais de eventos carnavalescos. Agora, a violência cresceu de forma assustadora. As estatísticas oficiais demonstram a gravidade de um quadro que já vem recrudescendo em áreas populosas de Maceió e de regiões do interior do Estado. Enquanto houve 20 homicídios no transcurso do carnaval de 2019, este ano aconteceu um estouro dos chamados Crimes Letais Intencionais, alcançando assim 34 assassinatos. É um número 70% maior que o ano anterior, razão pela qual o governador resolveu se calar. O dado oficial, que circulou com discrição, leva em conta ao que foi contabilizado até terça-feira de carnaval. Daí chama a atenção o vídeo feito pelo coronel do Valle, da PM, veiculado na rede social. O coronel anunciou a ocorrência de mais de 40 homicídios no Estado durante a folia. Ou seja, o que já era oficialmente muito ruim, pode infelizmente ser pior. Ainda no período momesco, 140 mulheres sofreram violência. O dado é quase 30% maior que o ano anterior. Se, em Maceió, a criminalidade cresceu nos bairros populosos, o cenário interiorano é de grande preocupação, a exemplo do Agreste alagoano. É nessa região que o povo não contou com o CISP de Maribondo, fechado há mais de um ano. Somente agora, depois da crescente onda de violência, Renan Filho resolve inaugurá-lo, após adiar por quatro vezes o descerramento da placa. É aguardar e checar como vai funcionar na vida real.