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Opinião

PRUDÊNCIA X INSENSATEZ

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O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse ontem que a escalada dos casos e mortes pelo mundo por causa do coronavírus justifica a adoção de medidas de distanciamento social – fechamento de escolas, trabalho remoto e suspensão de eventos, entre outros –, mas que a OMS afirma que testes em larga escala para cada caso suspeito ainda são a melhor alternativa para conter a disseminação do vírus. O diretor-geral frisou a necessidade de testar todos os casos suspeitos.

Os diretores da OMS recomendaram que todos os casos, até os leves, sejam isolados em centros de saúde, mas reconhecem que isso não é possível para todos os países, já que alguns não têm a capacidade de adotar essa medida. Nesses casos, os países devem priorizar pacientes mais velhos e aqueles com doenças pré-existentes. A organização ressalta que uma das formas de evitar a transmissão é parar reuniões de pessoas. No Brasil, o Ministério da Saúde tem recomendado o cancelamento ou adiamento de eventos com grande participação de pessoas. De acordo com o órgão, as autoridades locais devem estimular que eventos – sejam eles, governamentais, artísticos, científicos ou comerciais – não ocorram nesse período. Caso não seja possível cancelar o evento, a recomendação é que não haja público. Entretanto, muitas pessoas parecem ainda não ter se convencido da gravidade da situação. As praias cheias e as manifestações nas grandes cidade ocorridas no último domingo dão a dimensão da falta de comprometimento social e compreensão sobre a gravidade da pandemia do Covid-19 por parte da população. E o quer pior: essa insensatez é partilhada pelo atual ocupante do Palácio do Planalto. É preciso não esquecer o exemplo da Itália, que vive um pesadelo justamente por causa da pouca consciência sobre as medidas de distanciamento social. Idosos e doentes crônicos são os mais vulneráveis e precisam de solidariedade para ter chance de sobreviver à pandemia. Adotar medidas mais drásticas no Brasil neste momento pode parecer exagero, mas não podemos nos dar ao luxo de esperar as coisas saírem do controle para então tentar reagir. É preferível pecar por excesso.

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