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Opinião

Biodiversidade urbana

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JOSÉ MEDEIROS * Quando se ouve falar em biodiversidade o primeiro pensamento que nos vem à mente é uma floresta tropical, úmida e sombria, ou a mata atlântica devorada pelas motosserras de companhias inescrupulosas. Nelas, imagina-se a existência de numerosas variedades de plantas e animais, uma flora rica, não totalmente estudada. Por pensar assim, tive uma surpresa ao participar da abertura do Encontro de Zoologia do Nordeste. O título da conferência de abertura era: Biodiversidade urbana. O professor José Geraldo Marques - um misto de biólogo e poeta, de pesquisador do melhor porte e de ativista das boas causas do meio ambiente e da ecologia - foi o palestrante da noite. Mostrou ângulos pouco conhecidos da biodiversidade. Estudou a invasão dos espaços urbanos por animais silvestres expulsos de suas áreas de domínio pelos desmatamentos, queimadas e derrubadas de árvores que comprometem o seu ?habitat?. Não vou repetir as considerações ouvidas, por sinal proveitosos estudos. Dei tratos à imaginação relembrando garças que povoam praças públicas em São Paulo; onças que assombram moradores nos quintais de residências na periferia de Brasília; cobras e lagartos que passeiam em restaurantes à beira-mar. Em verdade, esses fatos constituem gritos de socorro, protestos de irracionais contra a ação maléfica dos que se dizem racionais. Nessa reunião, foi prestada homenagem póstuma ao emérito biólogo e professor Winston Menezes Leahy, originário de tradicional família de Penedo e de ascendência britânica. Na década de 70, eu era diretor do Centro de Ciências Biológicas e apoiava o início de um projeto sobre a bioecologia das lagoas Mundaú e Manguaba, com enfoque nos estudos sobre o sururu e os peixes lacustres. Necessitava trazer a Maceió o professor Paulo Sawaia, então diretor do Instituto Oceanográfico de São Paulo. Esforços baldados, ele não conseguia espaço em sua agenda. Alguém lembrou que o Dr. Winston Leahy trabalhava no setor de zoologia desse Instituto. Fiz um contato telefônico com ele e gostei da cordialidade e receptividade como fui atendido. As dificuldades foram removidas e o mestre Paulo Sawaia passou uma semana entre nós, sempre acompanhado pelo professor Leahy. Anos mais tarde, exercendo o mandato de deputado e presidente da comissão que elaborou a Constituição Estadual, recebi a visita de comissões de docentes da Ufal, de uma das quais participava Winston Leahy. Eles lutavam pela inserção de um dispositivo constitucional que assegurasse recursos para a ciência e para tecnologia. Como resultado dessa luta nasceu a Fapeal, atualmente consolidada e em fase de franca expansão. Winston foi um de seus diretores e membro do Conselho Superior da Fundação. Jamais abandonou suas pesquisas. Foi um dos autores do trabalho ilustrado ?Guia do Meio Ambiente? sobre a fauna e a flora do litoral e do interior de Alagoas. Sua competência era reconhecida. Humanista, ético, afável no trato com colegas e alunos, sempre pessoa amiga com quem se podia contar. O professor Winston Leahy, mesmo aposentado, continuou orientando os alunos do curso de Zoologia da Ufal. Exemplo de dedicação de um mestre que merece o reconhecimento da parte de todos os que o conheceram e amaram. (*) É MEDICO E EX-SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO E DE SAÚDE

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