Opinião
Fim da linha?
O sistema ferroviário de transporte de passageiros urbanos e interurbanos no País sofre falta crônica de investimentos. O Brasil, lamentavelmente, há muitos anos optou pelo transporte rodoviário total, quer seja de passageiros ou de carga. Com essa velha decisão, o País seguiu na contramão dos países desenvolvidos, que modernizaram seus sistemas ferroviários em todos os sentidos, sem deixar de construir eficientes rodovias. No caso do transporte de passageiros, particularmente, o Brasil ficou escandalosamente para trás, marginalizando essa opção durante décadas. Tocada como via excludente, a opção rodoviária terminou concentrando os recursos disponíveis em detrimento do transporte ferroviário. Como resultado, os trens sobreviventes transportam cada vez menos passageiros, ainda que sua tarifa seja bem mais barata. Em Maceió, a passagem ferroviária custa cinqüenta centavos. Opção ?secundária?, o sistema ferroviário de passageiros deteriorou-se, mas teimou em sobreviver, convertendo-se ao longo de dezenas de anos numa espécie de fóssil vivente, apartado da evolução natural. O processo privatizante tocado pelo governo FHC em nada ajudou a superar esse problema e o sistema ferroviário de transporte de passageiros passou a ser visto como mais um enjeitado nas gôndolas que ofereciam, a preço de banana, as sobras dos grandes negócios realizados com as estatais rentáveis. Não causa surpresa, portanto, que os trens suburbanos transportando passageiros de Maceió, Satuba e Rio Largo possam estar com os dias contados. Dizem que seus vagões estão entre os mais antigos do País, não oferecem nenhum conforto aos usuários e a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), teve de reduzir o número de viagens diárias. Faltam recursos até mesmo para a compra de peças de reposição. Para o futuro, as perspectivas não são nada animadoras. Segundo o diretor-presidente da CBTU não há previsão de liberação de recursos para investimentos, por causa do contingenciamento federal. Isto significa que, ou o governo Lula implanta uma nova política para esse setor, ou os velhos trilhos continuarão apontando para o mesmo destino indicado há tempos: ferro-velho como fim da linha.