Opinião
Por Maria Clara
RONALD MENDONÇA * Amada desde antes da concepção, a netinha Maria Clara é esperada com inquietação para este outubro. A ansiedade é tanta que, apesar de um sem números de detalhes já disponíveis, aos olhos da mãe e da avó parece haver sempre alguma coisa importante que ainda não está ?comme il faut?. Segundo rebento de avós embasbacados, pessoalmente gostaria de ter fé bastante para crer que Maria Clara nascerá sob as bênçãos de Deus e a proteção de Nossa Senhora da Conceição. Fará companhia a Caio, o primeiro, que crescendo em beleza e graça trouxe a primavera para nossas outonais perspectivas. Dentre as mil providências que marcam a espera da neta, destaco um lindo vestidinho de leve tonalidade rósea resgatado do baú depois de 32 anos. A peça vestirá Maria Clara no batismo. Usada nos batismos da vovó Nadja e da tia Lavínea, o vestido é como um manto protetor que sinaliza a vocação cristã da família. Maria Clara já tem o seu livrinho onde serão registrados, além dos dados biográficos, comentários diversos que incluem pessoas, assuntos ?up date?, músicas mais tocadas, novelas (?) e outros fatos notáveis que darão pistas de como andava o planeta na época do seu nascimento. Não deixarei de assinalar não só o nome do presidente Lula, mas o quanto nele apostamos. Evitarei comentar frivolidades como o ?casamento do ano? protagonizado por Marta & Fabre ou a virgindade da Sandy. Dizer que o Corinthians tomou de seis, poderá desestimular a futura torcedora, sendo por isso desaconselhável levantar essa lebre. Na realidade, garimpar o que há de mais importante não é fácil. Na esfera mundial, a presença de um João Paulo II, mesmo combalida, dá uma esperança de que nem tudo está perdido. Por outro lado, há peças do calete de Bush Júnior, ?O Predador?, e de Bin Laden, ?O Sinistro?, que torram bilhões de dólares em guerras e destruições, enquanto metade da humanidade, ou mais, vive na mais absoluta miséria. Já na condição de cidadã, Maria Clara saberá que em Alagoas a hora era de negociações e esquemas por conta das eleições para prefeito e vereador no próximo ano. Sem dúvida, a política é uma ilha da fantasia onde os menos iniciados treinam nó em pingo de éter. Mas o assunto de todas as rodas era o vigoroso discurso do desembargador Antonio Sapucaia, na cerimônia de sua posse. Embora ignorados, a fala do desembargador foi prenhe de conhecimentos jurídicos e humanísticos. Infelizmente, a porção ?dinamite? foi a que estourou na mídia. Por Maria Clara, hoje a gente torce para que Sapucaia tenha errado na medida. (*) é MÉDICO E PROFESSORA DA UFAL