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Uma pesquisa realizada pelo Ibope em todo o país, entre os dias 18 e 22 de setembro, apontou aumento na desaprovação do governo Lula: o percentual de descontentes passou de 18% para 24%, em relação ao levantamento anterior. No que se refere à confiança no presidente, o resultado mostrou que sua popularidade continua alta (70%), mas em queda (em março era de 80% e em junho 76%). Existem indícios de que a grave crise econômica que o país atravessa possa arranhar ainda mais a popularidade do presidente Lula. Com lembrou o jornalista Sebastião Nery, em sua coluna diária na GAZETA DE ALAGOAS, a ?herança maldita? deixada por FHC, também traduzida na projeção de crescimento pífio para 2003 de 2% se agrava mais ainda, pois se estima um desempenho ainda menor (menos de 1%), em virtude das medidas ?palocianas?. A elevada taxa básica de juros (que manietou o país por um semestre e apenas nos últimos 90 dias começou a ser reduzida) ao lado do elevado superávit primário são os principais fatores impeditivos de um desafogo na economia. As medidas emergenciais (diminuição de impostos para a indústria automobilística e facilidade no crédito para compras de eletrodomésticos) não se sustentam a longo prazo. É preciso mais: é necessário ousadia do governo no front interno da mesma maneira que vem atuando na cena exterior. As últimas posições do Brasil no que se refere à Alca, a OMC e ao enfático discurso do presidente Lula na abertura dos trabalhos da ONU, mostram uma nova postura, ousada em defesa dos interesses brasileiros, bem diversa da posição subserviente adotada pelo governo FHC. Faltam medidas internas de enfrentamento contra os especuladores internacionais, do tipo controle de saída e entrada de capitais de curto prazo; projeto claro de inclusão social; cobrança da dívida social imensa. Parecem dois governos: um que se dedica, judiciosamente, a defender os interesses nacionais externamente, e outro, atuando no cenário interno, dedicado a preservar o modus vivendi do passado recente, apesar dos discursos enfáticos em contrário.

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