Opinião
Brasil da esperan�a
MILTON HÊNIO * Começamos hoje a Semana da Criança, que termina no dia 12. Milhares de comemorações estão programadas em todas as cidades brasileiras para homenageá-las. O presidente Lula tem viajado bastante, procurando ganhar prestígio internacional para a nação brasileira e acredito que tenha conseguido. Creio no seu propósito e espero como todo cidadão que ama a terra em que nasceu, que o Brasil melhore suas desigualdades sociais e que a sua criança seja tratada com dignidade. Segundo sempre diz o nosso presidente em suas falas de improviso, ele irá batalhar em suas reformas pela igualdade de oportunidades para todos. Espero que isso aconteça, realmente. Vivemos da esperança. Esperar é viver. É que já estamos cansados de esperar e só vemos injustiça, principalmente por parte da criança. O que precisamos para que uma sociedade seja justa não é que ela seja igual. Nós somos naturalmente desiguais. Nós precisamos é que na origem, quando nós formos começar a corrida, cada um de nós tenhamos os mesmos instrumentos. Que o filho do operário, que o filho do desembargador, do intelectual, do banqueiro, possa ter o mesmo nível de educação, o mesmo nível de preparação, de tal forma que, na saída saia igual, para chegar desigual. O objetivo que, acredito, tenha o presidente Lula, não é a igualdade na distribuição de renda, que é impossível. O objetivo é a igualdade nas oportunidades. E deve ser essa a luta dos nossos governantes. A luta daqueles que têm poder é fazer força para que cada brasileiro floresça com aquilo que ele tem dentro de si, independentemente de o avô ou o pai ter destaque político, riqueza ou amizades. Esse é o sentido básico que deve ter o governo. Fica a nossa esperança para que isso realmente aconteça. A educação é o melhor meio de dar a todos maiores oportunidades de realizar as desigualdades da vida. Essa tese é defendida há mais de 50 anos pelo falecido senador João Calmon, que passou a vida lutando pela educação e pouco conseguiu. É íntima a relação entre educação e desenvolvimento. Um país com a nossa porcentagem vergonhosa de analfabetos não poderá superar nunca, a curto prazo, a etapa do subdesenvolvimento. Espero que esse analfabetismo desapareça em breve para termos uma juventude feliz e próspera. Hoje o Brasil é um paraíso para poucos e um inferno para muitos, inferno em cujas chamas se carbonizam as melhores esperanças de nossa pátria: a sua infância. No Art. 6º da Declaração dos Direitos da Criança, está escrito: ?A criança necessita de amor e compreensão para um desenvolvimento harmonioso de sua personalidade. Deve ser criada pelos pais, sempre que possível, num ambiente de afeto e segurança, moral e material?. Uma grande parte das crianças que vive no mundo de hoje sofre exatamente o oposto do que reza esse artigo. Crianças de tenra idade são doadas, vendidas e abandonadas aos milhares, porque são filhos da miséria e da ignorância as quais possibilitam o crescente número de mães solteiras e de famílias irregularmente constituídas. Esse é o mundo moderno em que está inserida a criança. Nasce atualmente em torno de 1.500 crianças por hora na América Latina, em condições de ?risco?; riscos físicos e psíquicos que precisam urgentemente dos governantes bem intencionados, dos pais afetuosos e de uma sociedade mais solidária para serem felizes. Cuidemos, portanto, de nossas crianças, com competência técnica e amor; amparemos a família para fazê-la unida e feliz; edifiquemos eficazmente os corpos e as mentes das crianças de nossa terra para que elas tenham um futuro grandioso. (* ) É MÉDICO E-MAIL: [email protected]