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O povo e o desarmamento

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Recente pesquisa, divulgada pela mídia impressa e pela Internet, indicava que, de cada dez brasileiros, sete já ouviram falar do Estatuto do Desarmamento, aprovado no Senado e em tramitação na Câmara. Dos que sabem algo desse projeto, 82% são a favor das propostas ali contidas, 14% são contra e 4% não sabem ou não opinaram. Esses números foram obtidos pelo Ibope em pesquisa realizada entre os dias 18 e 22 de setembro, em 147 municípios brasileiros, ouvindo duas mil pessoas. Dos entrevistados, 80% defendem a proibição da venda de armas de fogo e no caso de um referendo hoje, sufragariam pelo impedimento desse tipo de negócio. A comercialização de armas de fogo tem, porém, seus defensores, 16% dos entrevistados. Para a direção do instituto de pesquisa, o levantamento surpreendeu os próprios pesquisadores. ?Os números são arrasadores; é praticamente uma unanimidade? é a avaliação dos especialistas. Para 65% dos entrevistados, as medidas do estatuto vão diminuir a violência, mas 23% acham que praticamente nada mudará, contra 8% que pensam que a criminalidade vai aumentar. A pesquisa indica o efeito das campanhas de massa, quando levadas com certo grau de unidade pela mídia, aí destacando o peso de poderosos instrumentos como as novelas de maior audiência. Naturalmente, a evidência dos motivos éticos da campanha é um fator determinante. O mais importante é o entendimento de que o sucesso desse tipo de campanha reafirma o crescimento prático da cidadania, provando a capacidade da opinião pública reagir e responder às grandes questões. Passeatas e outros tipos de manifestação das opiniões do povo são momentos importantes de conscientização nessa campanha pelo desarmamento. Mas se deve evitar a construção de novos mitos, como por exemplo que basta cessar a venda de armas para que a paz se restabeleça nas ruas do Brasil. Enxergar o caso assim é uma ilusão de ótica. A proibição da venda de armas será um inibidor à violência, sem dúvida. Mas também não pode restar dúvidas de que os bandidos não compram armas em lojas. Esses continuarão armados e é papel do Estado desarmá-los e desarticulá-los enquanto quadrilhas ? esse é o principal desafio.

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