Opinião
Conduzir � vontade
DOM FERNANDO IÓRIO * Tarefa árdua e difícil. O comando mais cansativo é o de si mesmo. Não é difícil não se deixar conduzir pelos impulsos mais primários. A propósito, a pessoa de vontade, que sabe conduzir-se a si mesma, consegue tornar seus sonhos e ideais autêntica realidade. De igual modo, quem tem força de vontade conduz a vida sem ser manipulado por ela, sabe contrariar suas tendências imediatas, dominando gostos e inclinações. Em outras palavras, lembra esse treinamento o guarda de trânsito, controlando o tráfego: manda parar, dá passagem ou faz esperar. Se o responsável der passagem a tudo quanto lhe for solicitado advirá o caos. Manter o autocontrole, torna-se, cada dia, mais difícil em nossa sociedade permissiva e, ao mesmo tempo, contraditória. Autocontrole significa, também, não perder as rédeas de si próprio por pressões de pouca valia, de somenos envergadura. Recentemente, vem-se apelando para a psicologia em busca de melhores resultados na relação estímulo/resposta. O importante é a perseverança no timonear o rumo do seu barco. Mesmo assim, tem a vontade corajosa necessidade de aprendizado gradual, intenso e perseverante, através de atos repetitivos nos quais a pessoa se vence, lutando, caindo, reerguendo-se, recomeçando. Além dos óbices que se apresentam, para se ter vontade decisiva, mister se faz começar negando-se ou vencendo gostos, estímulos e inclinações que se nos apresentam, momentaneamente. O importante ? a experiência ensina ? é tornar atraente a responsabilidade na canalização da vontade. Estou em que qualquer aprendizado se adquire, mais facilmente, à medida que a motivação se vai tornando maior. Estar motivado é ter esticado o arco para atirar no melhor alvo. Em outras palavras, aquele que não sabe o que quer, que não sabe para onde caminha, nem para onde é levado, dificilmente saberá em que alvo irá atirar sua flecha. É fundamental ter objetivos claros, precisos, bem definidos, certos. Todos os seus amigos estavam descansando, derredor da casa grande, quando ele passa, a galope, sem dominar as rédeas do cavalo. Alguém lhe grita: - para onde vai você? ? Eu vou para onde o cavalo me leva. Não são poucos, ainda, os sem vontade, que são conduzidos para onde o cavalo os leva. Alguém já afirmava, com muita graça: ?Faço sempre o que quero, porque quero sempre o que faço?. (*) É BISPO DE PALMEIRA DOS ÍNDIOS