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Perigos rondam jovens

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JOSÉ MEDEIROS * Cada vez mais se acentua a preocupação das famílias com seus adolescentes e jovens. E não é para menos. Contrastam com os aconselhamentos do meio familiar as influências externas, da mídia e dos amigos. Fumo, álcool, violência e drogas são temas que não ficam ausentes no palco das conversações diárias. Permitam-me um comentário sobre o fumo: não faz muito tempo as multinacionais do tabaco utilizavam propaganda enganosa, envolvente, induzindo à percepção de que com o cigarro o adolescente se tornava mais atraente, sexy e livre. A propaganda do ?homem do Marlboro?, marca de cigarro mundialmente anunciada, mostrava um elegante caubói respirando liberdade, alto astral, domínio e saúde. Esqueceram-se de dizer que anos depois esse caubói-fumante morreu de câncer no pulmão e no esôfago. Por sua vez, as propagandas de álcool e cerveja estão sempre mais audaciosas. Ora utilizam mulheres bonitas e sensuais, ora ?slogans? chamativos como este: Experimenta, experimenta... Sobre tabagismo (os puristas da língua dizem que o vocábulo certo é ?tabaquismo?), conto-lhe uma história que é muito mais que um episódio, é uma historia de vida. É o relato de um adolescente que, aos 12 anos, a fim de afirmar-se perante a namorada, experimentou o cigarro pela primeira vez. Após os primeiros tragos e baforadas sentiu náuseas, sensação de vômitos e engasgos. Entretanto, persistiu por considerar o cigarro uma prova de afirmação pessoal. Quarenta anos passados desde então, as conseqüências são grandes: perda do olfato, do paladar e crises de hipertensão. A perda do sentido de perceber cheiros e gostos anulou a sensação de bem-estar que alimentos podem provocar. Não mais consegue lembrar o sabor do camarão, do chocolate, dos docinhos e de outras agradáveis sensações gustativas. Voltar a esse assunto, não se trata de reincidência-choramingas, de pura reclamação ou de tentar reprimir a liberdade dos adolescentes. Fumo e álcool estão cada vez mais presentes na vida dos jovens. Em festas, observa-se que eles bebem um pouco mais do que deviam. Estatísticas trazem à tona informações de que o consumo de álcool, quando exagerado, é tão prejudicial quanto o uso de drogas e está diretamente relacionado aos acidentes de trânsito, homicídios e violências sexuais. As pessoas que gostam de fazer caminhadas às 5 horas da manhã se admiram ao encontrar bares ainda abertos, cheios de jovens freqüentadores de ambos os sexos, que viraram a noite. No principal ?shopping? da cidade a praça de alimentação não tem espaço destinado para fumantes. Observei, certa feita, quatro adolescentes vestidas de fardamento escolar, com possíveis 16 anos, que fumavam cigarro após cigarro. Como o ditado popular diz ?os incomodados que se mudem?, numerosas pessoas mudaram-se de mesa, ou foram embora, incomodadas pelo excesso de fumaça. Os dirigentes desse ?shopping? deveriam levar em conta o bem-estar da maioria. Será que esse desafio não pode ser vencido? Por tudo isso, famílias e escolas têm uma missão cada vez mais difícil. O cotidiano está sempre cheio de altos e baixos e de tarefas árduas. Não será exagero afirmar que a vida necessita ser reinventada constantemente, ajustada às circunstancias e às mudanças. (*) É MÉDICO E EX-SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO E DE SAÚDE

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