Opinião
Feliz Natal?
Os analistas econômicos torcem para que a taxa básica de juros (Selic) chegue ao fim do ano em torno de 18%. Com o país em profunda recessão, a medida serviria para desanuviar o carregado ambiente socioeconômico brasileiro, pródigo em notícias nada animadoras. Entretanto, para o consumidor, o efeito é quase insignificante. Numa compra a prazo, financiada em 12 meses, a redução de dois pontos percentuais na taxa Selic ocasiona menos 1% nas prestações. O governo federal corre contra o tempo (em decorrência do excesso de conservadorismo do Banco Central na condução da política monetária). Promete descontingenciar verbas federais e agilizar a linha de crédito para a compra de eletrodomésticos, porém os reflexos de medidas como essas na economia, para este ano, serão tímidos. Com o crescimento econômico do país em 2003 apontado cada vez mais para baixo (menos de 1%), as esperanças se esvaem. O comércio, que nesta época do ano sempre apresenta um desempenho positivo, se contentaria se repetisse o resultado do ano passado, que já não fora dos melhores. Em São Paulo, principal centro consumidor e termômetro do país, pesquisas indicam que a maioria dos consumidores pretendem restringir suas compras. Tanto é assim que o próprio Sindicato dos Comerciários de São Paulo estima que as contratações temporárias chegarão, no máximo, a 30 mil, bem inferior aos 50 mil do ano passado. Em Alagoas, embora não se tenham dados sobre o assunto, pode-se deduzir que no Estado que tem a pior concentração de renda do país a situação deva ser bem pior. Agregue-se a esse fato a informação dada pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Maceió (CDL), que, devido ao aumento do número de cheques sem fundo, estuda-se o boicote durante uma semana de cheques provenientes de bancos com o maior número de emissões. Embora seja uma decisão de abrangência nacional, se a situação já estava difícil, vai ficar bem pior. Nessa via, o Papai Noel estará entre os excluídos deste Natal. É hora dos condutores da economia brasileira pensarem numa saída para essa triste realidade.