Opinião
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GILBERTO DE MACEDO * É o mais profundo e forte sentimento. Constituído no âmago da pessoa, é absoluto, inabalável e eterno. Guia os passos do destino. Leva e eleva. É força espiritual invencível, mesmo quando de joelhos diante da imagem santificada, não se está humilhado, mas glorificado. Por isso, está acima de todos os obstáculos. E o ditado popular já diz: ?A fé remove montanhas?. Assim, conduz a pessoa, sem titubeios, nos caminhos da vida. É que não deixa qualquer dúvida, da razão do escritor inglês Fuller, dizer: ?Quem não vive segundo o que acredita, não acredita?. É fé ou não é. Por isso, não são todos os que têm verdadeiramente fé. Muitas vezes confundem-na com a busca de segurança em face das dificuldades da vida ou ante algo desconhecido, procurando um apoio. Mas, estado de ânimo inquebrantável, a fé fortifica a pessoa, dando-lhe coragem, confiança e alegria, encantando o espírito. Assim, o latino Tribussa tinha sabedoria para dizer que ?A fé é bela sem o talvez...?. É, desse modo que, além de fortalecer, engrandece o ser humano, pela sinceridade e fidelidade do sentimento. Ensina-o a viver, iluminando-lhe o itinerário da existência, numa mesma espécie de saber intuitivo, razão do poeta latino Lattangio afirmar: ?Há religião na sabedoria e sabedoria na religião?. Dessa maneira, os que têm fé sabem encontrar soluções para os seus problemas construindo novos caminhos, ao contrário do que não a possuem e, sem acreditar, ficam frustrados, imobilizados na mesma situação. O agnosticismo é paralisante e infecundo. Desestimulante. Daí que a fé, seja decisiva para superar e vencer. Nos momentos mais difíceis da existência pessoal, como nos estados de doença. A esse respeito a medicina moderna, psicossomática, explica sobre isso, mostrando como a força da alma pode influir, favorável e decisivamente, nos mecanismos de cura, seja qual for a natureza do processo mórbido e a fase de evolução patológica. As energias da alma atuam, inclusive, sobre a estrutura orgânica do indivíduo, permitindo a ação positiva e benéfica da terapêutica. E, assim, em qualquer dificuldade pessoal, na problemática existencial que tanto afeta os seres humanos, na sociedade atual: carência de amor, frustrações com suas falsas compensações, com o uso de drogas, a violência, os jogos de azar, até às doenças mentais. Em todos esses agravos ao sentido da vida, a força espiritual da fé tem decisiva influência benéfica: da vida íntima à vida externa da pessoa: na convivência familiar, profissional, política e demais. Por tudo isso, a crise da fé que se constata hoje em dia é um grave problema humano, que merece a atenção e os cuidados de todos nós. Afinal, caminhar sem fé, é andar desamparado e sem direção. É viver numa busca sem sentido, e que jamais se resolve. É viver rodopiando em torno de si mesmo. Sem situação definida no mundo em que vive, sem autogoverno no espaço atual e sem perspectiva no tempo, sem futuro. Sem fé, portanto, o ser humano está incompleto, em sua dimensão essencial: a vida espiritual. Daí que estabelecer a fé no mundo seja um bem para todos. (*) É MÉDICO