Opinião
Fome de desenvolvimento
Anima-se o mercado. Ontem, a Bolsa de Valores de São Paulo fechou seu sexto pregão em alta e o dólar caiu pelo quinto dia consecutivo. Espera-se mais uma melhora significativa na nota risco-País. Na Bolsa de Valores de São Paulo, referência internacional do mercado brasileiro, o principal índice da casa, o Ibovespa, ascendeu mais 1,92% e fechou o balanço da quarta-feira com 17.804 pontos, maior nível desde 29 de janeiro de 2001 e beira a bater o famoso patamar dos 18 mil pontos (que foi alcançado pela última vez em 29 de março de 2000, sendo que nesse ano também foi atingido o recorde histórico de 18.951 pontos). Para a grande maioria do povo, essa língua é grega, mas é perfeitamente traduzível com boas possibilidades de se levantar, nem que seja um pouco, da deplorável situação econômica em que o País continua jogado. Alegria na bolsa, queda do risco-Brasil e outros sinais podem significar mais dinheiro pousando em aplicações produtivas, mais possibilidades de emprego e renda. Na verdade, as coisas não são tão simples. Mas vale a intenção de se acreditar e apostar no melhor. A euforia, porém, merece ser olhada com mais cautela, em função da característica normal de oscilação do mercado. As reações para além das portas das bolsas também precisam ser melhor estudadas. Cautela e estudo não devem representar, porém, uma postura defensiva. O governo deveria apostar mais no viés de crescimento, sem embarcar no aventureirismo. As iniciativas do governo federal continuam sendo definidoras para movimentos desse tipo. Segundo as análises divulgadas pela mídia, os quatro cortes de juros promovidos pelo Banco Central nos últimos quatro meses (de 26,5% para 20% ao ano) possibilitou a migração de recursos antes aplicados em títulos públicos (renda fixa) para ações (movimento que tende a favorecer o crescimento de investimentos produtivos). Mexendo a colher na medida certa, o governo pode dar uma ajuda maior para que a panela da economia finalmente possa se aproximar do ponto de seu cozido ser levado à mesa.