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Nº 5716
Opinião

Semana Santa

MARIA PURESA AMORIM * Semana Santa é tempo de orações, de penitências, de sacrifícios e de boas ações. Há quem diga até que nesse período se tem mais chances para receber o perdão dos pecados. Sim, porque a maioria das pessoas se recolhe um pouco, oferec

Por | Edição do dia 28/03/2002 - Matéria atualizada em 28/03/2002 às 00h00

MARIA PURESA AMORIM * Semana Santa é tempo de orações, de penitências, de sacrifícios e de boas ações. Há quem diga até que nesse período se tem mais chances para receber o perdão dos pecados. Sim, porque a maioria das pessoas se recolhe um pouco, oferece um óbolo mais avultado para obras das igrejas, abstém-se de coisas supérfluas e também algum prazer da carne. Essas posições!... que deveriam ser seguidas no dia-a-dia pelos cristãos, mas a consciência só é despertada durante essas comemorações. Acredito até que todas essas coisas tenham algum mérito diante de Deus que, por ser tão misericordioso, ameniza até nossas penas para que não nos leve à escravidão da alma. Na verdade, esse gesto grandioso Dele de se fazer Homem, passando por todas as torturas e humilhações do calvário, foi para redimir-nos com seu sangue. Embora os ateus e agnósticos não acreditem ainda na magnificência desse ato, está provado que o acontecimento da Sexta-Feira sobre o gólgota, constituiu o cerne, o ponto central da eternidade. Tudo isso está bastante claro no evangelho escrito por São Lucas. Ali se tem a certeza de que, se não fosse esse gesto divino, estaríamos completamente perdidos. Nossos repetidos erros e a incontrolável servidão do pecado implicariam no total prejuízo da nossa salvação. Enquanto não se tentar compreender a causa do amor de Jesus imolado pelos homens, as aparências não terão o valor inteiramente distinto sob o reflexo da luz divina. E, se refletirmos com critérios sobre o misterioso acontecimento da morte do Messias, encontraremos todas as respostas e dissiparemos todas as dúvidas que por acaso estejam sombreando nossas mentes. Descobriremos também que Deus se fez homem para permanecer entre nós, para nos ensinar a linguagem do amor através dessa morte tão ignóbil e vil, para fazer-se reconhecer nos pobres sem teto, sem terra, sem pão e sem amor. Para o respeitarmos no Cristo da calçada que por falta de compreensão é pisado e machucado todos os dias. O Cristo partido nas prisões, que muitas vezes, injustamente, é condenado. O Cristo que se encontra enfermo nos hospitais de indigentes, morrendo à míngua. O Cristo pequenino pelas ruas da cidade, vivendo no anonimato e em total desprezo. O Cristo partido que está como refém de marginais, os quais muitas vezes também estão agindo dessa forma por causa de uma sociedade sem critérios de justiça e igualdade. O Cristo que está nos pais de família, desempregados. E ainda o que se encontra nos órfãos, nas viúvas, nos índios, nos desamparados da sorte, nos governantes e em todas as pessoas que Dele precisarem. Enquanto não vermos e sentirmos o Cristo da Paixão comemorado na Semana Santa, em todas essas criaturas, não estaremos de acordo com a doutrina que foi divulgada por Ele próprio, quando esteve entre nós. Esse é o verdadeiro sentido da Paixão que temos de viver. Do contrário, o que fizermos vai passar a milhas e milhas de distância do que Ele ensinou. Pensemos nisso durante essa Páscoa. (*) É ESCRITORA

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