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Aparecida

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DOM EDVALDO G. AMARAL SDB * ?Virgem negra, surgida das águas, na rede de humildes pescadores como que a delinear sua missão entre nós: o estar no meio do povo, das pessoas simples, dos marginalizados, dos sem-voz e sem-vez? - assim introduz sua reflexão sobre a Virgem da Conceição Aparecida, padroeira do Brasil, o frei Patrício Sciadini, carmelita descalço, no livro ?Intimidade Divina?, por ele editado em português. No próximo domingo, 12, estaremos celebrando a festa de nossa padroeira, momento oportuno para refletirmos sobre o significado para a tradição católica brasileira de Nossa Senhora Aparecida, a mulher, negra, pobre e humilde. Nascida num lugarejo desconhecido da Galiléia dos Gentios, do qual o próprio Natanael, que Jesus elogiou como o ?verdadeiro israelita em quem não há fingimento?, indagou com sarcasmo: ?E de Nazaré pode vir algo de bom?? Foi ela que quando o Anjo lhe declarou que ?para Deus nada é impossível?, respondeu: ?Eis aqui a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra?. Foi ela que se pôs a caminho apressadamente para a região montanhosa da Judéia, para a casa de sua parenta Isabel, grávida de seis meses, para prestar-lhe os serviços domésticos, necessários a uma mãe, pobre e avançada em anos. Foi ela que diante da exclamação da prima: ?Donde me vem a honra de receber a mãe de meu Senhor??, prorrompeu no hino de ação de graças a Deus: ?Meu espírito exulta em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade, a pequenez, a insignificância de sua serva?. Foi ela que proclamou que ?o Todo-Poderoso agiu com a força de seu braço e dispersou os homens de coração orgulhoso?. E ainda acrescentou: ?Ele depôs os poderosos de seus tronos e aos humildes exaltou ? cumulou de bens os famintos e despediu ricos de mãos vazias.? Foi ela que nas bodas de Caná acudiu à necessidade dos noivos, que ?não tinham mais vinho?, antecipando a hora dos sinais de Jesus e deixando-nos a grande indicação: ?Fazei tudo o que Ele vos disser?. Foi ela, a virgem fiel, que, aos pés da cruz, assistiu de pé o sacrifício redentor de seu filho Jesus, certa e segura de seu triunfo final na gloriosa ressurreição. Foi ali, naquele momento supremo da vida de seu divino filho, que ela recebeu como herança ser mãe da Igreja e mãe da humanidade. Foi ela finalmente que, com os apóstolos, aguardou na oração e na esperança a fortaleza que veio do alto, o Espírito do Senhor, para dar à Igreja nascente luz e força para proclamar ao mundo a ressurreição do Senhor até o supremo testemunho do martírio. A imagenzinha negra, encontrada nas águas turvas do rio Paraíba em 1717, foi o sinal das graças e favores, alguns extraordinários, que Nossa Senhora começou a conceder aos humildes pescadores e moradores do então pobre Vale do Paraíba. Hoje, quando ali se encontra o pólo mais rico do Brasil, entre Rio e São Paulo, a Virgem Aparecida continua a conceder suas bênçãos aos romeiros vindos de todo o Brasil, do Norte ao Sul, para implorar as graças da Virgem Mãe, por meio da imagenzinha, que se venera em seu trono, no santuário mariano mais famoso de nossa pátria. Que a Senhora Aparecida, rainha e padroeira do Brasil, vele agora, com amor de mãe e poder de rainha, sobre os destinos de nossa pátria nesta encruzilhada de sua história! (*) É ARCEBISPO EMÉRITO DE MACEIÓ

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